Mexidas nas forças de defesa e segurança deixa Viana e Talatona sem comandantes municipais
O Presidente da República, usando das faculdades que a Constituição lhe confere, fez mexidas nas Forças de Defesa e Segurança, abrangendo, obviamente, as Forças Armadas Angolanas e o Ministério do Interior. Mas foi neste último onde as mexidas foram mais profundas.
Por: Lito Dias
Fruto disso, enquanto alguns esfregam as mãos de contente, os outros começam a fazer as contas sobre o que o futuro lhes reserva. Dentre estes, estão aqueles que passaram à reforma e aqueles que foram exonerados, mas não foram abrangidos nem pela reforma, nem pela nomeação.
A maioria das exonerações e as consequentes nomeações são previamente anunciadas, mas as outras, em casos excepcionais, e a depender da relação com o chefe de Estado e das causas da exoneração, não são anunciadas.
Estás, sim, têm causado dor de cotovelo, ao ponto de alguns acabarem em clínicas com doenças de fórum cardíaco.
Sem querer centralizar as nossas atenções ou individualizar os casos, elegemos o caso de um oficial que, dada a sua perspicácia, afabilidade e, acima de tudo, educado, poderia ser exonerado para ocupar outros cargos.
Trata-se do Comandante da Polícia Nacional no município de Viana, Gabriel Jorge dos Santos Capusso, tido como um promotor de valores que norteiam a conduta dos efectivos.
O Comandante Capusso foi baptizado não só por moradores, mas sobretudo por colegas que o têm como exemplo na doação, resiliência, espírito de missão e sacrifício.
Como é evidente, no outro lado do bem está rigorosamente o mal.
O município de Talatona, por exemplo, não teve a sorte de ter um comandante com as riscas de Capusso.
Joaquim Godinho do Rosário, agora exonerado do cargo de Comandante Municipal do Talatona, sai de forma tardia do cargo.
Num país onde se apregoa o rigor, a responsabilidade, respeito pelos direitos humanos, ter-se um oficial implicado na expropriação de terras, espancamentos de senhoras idosas, como as da Empresa Konda Marta, não poderia ter a sorte de ocupar cargos de comando por muito tempo.
Há vários meses, o seu nome apareceu associado à violação dos direitos das camponeses por parte de alguns efectivos da Polícia Nacional sob seu comando, sempre que aqueles tentam impedir os usurpadores que são homens com peso que alegam ser sua propriedade.
Nos últimos tempos, deu-se conta que o referido terreno foi presumivelmente usurpado por altas patentes da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolanas.
Como comandante, terá constituído um grupo de avanço que, quando o assunto é correr atrás dos camponeses, fazem tiros a matar.
Se se tivesse em conta esses e outros dados, naturalmente, que o Chefe de Estado não hesitaria em mandá-lo descansar.







