ENDE calcula perda de bilhões de Kwanzas e cessa contratos com 15 agentes incumpridores
A Empresa Distribuidora de Electricidade (ENDE) extinguiu, no dia 31 de Dezembro passado, contratos de serviço a 15 agentes autorizados por incumprir contratos, não prestar contas e simular constantemente roubos. Dentre eles figura o agente Figueira Filipa e Filhos, um agente de Cacuaco e outro de Benguela.
Por: Kiamukula Kanuma e Alfredo Talamako
As águas agitam-se com os acusados tudo fazerem para recorrerem da medida, que pode comprometer a sua sobrevivência financeira. Mesmo dentro do gabinete de Hélder de Jesus Garcia Adão, Presidente do Conselho de Administração da ENDE, há funcionários que não estão só a ver para, cada um, exercer a sua influência e tirar partido da situação. Afinal, cada agente desses era capaz de arrecadar 04 milhões de Kwanzas em uma semana.
Este jornal sabe que dos 15 agentes ora extintos, o agente Figueira Filipa e Filhos, mais um agente de Benguela e outro de Cacuaco estão a ser protegidos pela Associação dos Agentes autorizados da ENDE (Claster), por entender que estes não são recorrentes nas faltas de prestação de contas. A associação confirma que têm sido vítima de assaltos, tendo esta advocacia valido a prorrogação da suspensão até no dia 28 de Fevereiro. Apesar disso, até lá, ficam sem efectuar qualquer cobrança nas suas lojas.
Entretanto, Figueira F. Filhos reagiu, considerando que tem as contas em dia. "Sou um dos agentes que não faltam na prestação de contas com a ENDE; tenho sido apenas vítima de muitos assaltos, sendo que ainda no dia 22 sofri um assalto, onde perdi mais de 2 milhões de Kwanzas", disse, concluindo que está perante uma cabala dentro da empresa que visa prejudicá-lo.
"É muito dinheiro em jogo; todos estão de olhos no bolo, o Estado perde muito dinheiro, você não imagina o quando o Estado perde", reconheceu para depois admitir que tem uma dívida que ronda os 61 milhões com a ENDE. "Mas pode-se amortizar, até porque a empresa tem uma dívida de 14 milhões comigo da montagem da linha de alta tensão", acusou, sugerindo que a sua agência fosse paga, com esse dinheiro teria saldado a dívida.
"A ENDE fica 09 meses sem pagar um agente que tem 90 funcionários? Como os teria que os alimentar?", questionou.
Ele é de opinião que quando a ENDE rescinde um contrato com um agente autorizado não deve fazê-lo unilateralmente, enviando uma nota de rescisão. "Tudo rege-se por normas e a ENDE tem um gabinete Jurídico com pessoal competente", disse.
Referiu ainda que a ordem de pagamento de apenas três dos nove meses dos agentes autorizados estava marcada para os meses de Dezembro e Janeiro. Acontece que a ordem da Figueira já tinha dado entrada no Banco, com o valor de 22 milhões de Kwanzas, mas foi retirada a mando da direcção comercial da ENDE/ Viana.
De acordo os entrevistados, a percentagem por cada factura é de 08 por cento, mas são pagos apenas 06. "Com quem ficam os dois por cento?, pergunta.
A nossa reportagem ouviu, presencialmente, Lau Fortunato, director do Gabinete de Comunicação e Imprensa da ENDE, e asseverou que, o agente Figueira Filipa e Filhos, o Grupo Electron e a Zango Comercial são incumpridores; furtam-se de prestar contas. "A primeira já recebeu o ofício de extinção de contrato, as duas outras encontram-se na linha amarela, mas também vamos extinguir os contratos com eles, assegurou.







