Realojamento discriminatório? - Famílias que residiam nos prédios degradados no Kinaxixi ameaçam marchar até ao GPL
Quatro das 08 famílias que viviam no prédio Bety, de três andares, que está prestes a desabar, bem ao lado do edifício que ruiu, em Março de 2023, na Av. Comandante Valódia, no Kinaxixi, Distrito Urbano da Ingombota, já foram realojadas no Zango 0, ao passo que as outras 04 famílias bem como as que moravam ao lado do mesmo edifício, no rés-do-chão, pretendem marchar até ao o Governo Provincial por se sentirem insatisfeitas com o facto de se pretender enviá-las ao projecto Mayé-Mayé, adjacente a Centralidade do Sequele.
Por: Cambundo Caholua
Tudo começou em Março de 2023, quando o edifício 41, de seis andares, no bairro do Kinaxixi, desabou, deixando dezenas de famílias ao relento.
Após o acontecimento, a administração municipal de Luanda entendeu realojar todos os moradores, tanto os do prédio que caiu, assim como os residentes no edifício ao lado e, também, aqueles que viviam nos anexos, rés-do-chão.
Já as 08 famílias que viviam no edifício Bety, que também está prestes a desabar por apresentar algumas fissuras, foram alojados no Hotel Relaxe, sendo duas no 1° andar; duas no 2° ; quatro no 3° andar; tal como as outras 07 que residiam nos anexos ao lado do prédio, com garantias de, posteriormente, lhes serem entregues as residências no âmbito do realojamento.
Os moradores, depois de algum tempo acomodados no Hotel já mencionado, numa das reuniões com administradora municipal de Luanda, Milca Caquesse, foram comunicados que seriam realojados no projecto Mayé-Mayé, para o seu desagrado.
A informação sobre o realojamento abalou a todos, "porque as expectativas não eram para aquele projecto residencial, visto que estavam ser retirados do centro da cidade".
Segundo a senhora Esperanca, de 54 anos de idade, moradora do edifício Bety, há cerca de 26 anos, foram informados que seriam contemplados por residências do Mayé-Mayé, proposta rejeitada por todos os moradores.
"Negamos as casas do Mayé-Mayé e, surpreendentemente, a partir daquela altura, nunca mais vimos a senhora administradora", disse acrescentando que a mesma, depois da rejeição, reunia-se clandestinamente com os moradores do 1° e 2° andares, uma atitude reprovada pelos moradores do 3° andar e dos anexos.
"Dos tais encontros, resultou a discriminação na distribuição de residências, sendo que alguns foram contemplados com as do projecto Mayé-Mayé, ao passo que os outros foram enviados ao Zango-0, propriamente à Vida Pacífica, situação que está a criar insatisfação", afirmou.
Por outro lado, os moradores revelaram que no momento em que ainda todos se encontravam hospedados no Hotel Relaxe, a administradora municipal de Luanda distribuiu casas de forma sigilosa. "Quando a Sra. Administradora Milca, Caquesse deu as chaves das residências aos moradores do 1° e 2° andar, de forma secreta, orientou-lhes a não dizer a verdade aos restantes.
"A senhora administradora é muito arrogante, desprezou as nossas casas, dizendo que eram de lixo, algo em que investimos dinheiro e suor", desabafou outro morador, salientando que todos querem ir ao Zango -0.
"Se essa continuar do jeito que está, vamos montar as nossas tendas no arredor do prédio e, posteriormente, marchar em direcção ao Governo Provincial de Luanda para ver se o governador, Manuel Homem, resolve o nosso problema já que a Sra. Milca não está a ser capaz", avisaram.







