ENDE: Ataques cibernéticos afectam sistema e causam transtornos à população
Tal como aconteceu em Setembro do ano passado, 2023, uma vez mais a ENDE enfrenta um grave problema no seu sistema informático a pontos de interromper as vendas de energia pré e pós-pago, nos canais presenciais e não presenciais, principalmente na província de Luanda.
Por: Na Mira do Crime
Num curto espaço de tempo, a Empresa Nacional de Electricidade (ENDE) volta a estar a braços com uma anomalia que está a criar sérios transtornos aos cidadãos, sendo a base das enormes enchentes nos postos de pagamento da empresa.
O facto é devido a dificuldades para se efectuar o pagamento de energia, tanto nos sistemas pré-pago como no pós-pago, seja através do multicaixa, do telemóvel ou presencial.
Anteriormente, a situação estendeu-se por todo território nacional, mas desta feita, é mais a província de Luanda que foi afectada, havendo pouca informação de outros pontos do país.
Ante a reclamação dos clientes, a ENDE, sem muitos pormenores, garantiu na segunda-feira (22) que a situação estava a ser verificada e estaria ultrapassada com brevidade. Entretanto, a falta de sistema para o pagamento da energia eléctrica continua a causar muitos transtornos aos clientes da ENDE.
Várias agências permaneceram esta terça-feira (23) sem sistema, o que obriga os utentes a percorrer longas distâncias para procurar uma agência funcional, em Luanda. Há gente que madruga, passa o dia todo nas filas e não consegue resolver nada.
Os cidadãos estão agastados com a situação e reclamam do facto de continuar difícil o carregamento da conta de energia eléctrica para clientes pré e pós-pago.
Enquanto isso, há a realçar que na situação passada, notícias postas a circular apontaram que a anomalia sofrida pela ENDE “foi um ataque cibernético”.
O referido ataque cibernético, foi reivindicado pelo BlackCat Ransomware Group no X (anteriormente Twitter) , tendo o mesmo declarado ser o responsável pelo que aconteceu a ENDE e ao Grupo COSAL que é a representante da marca Hyundai em Angola, embora a segunda tenha sido uma informação que surgiu posteriormente.
Na mesma esteira, recorde-se que instituições angolanas de vulto, como a Sonangol, o Ministério das Finanças (Minfin) e o Banco de Poupança e Crédito (BPC) já foram, igualmente, vítimas de ataques cibernéticos.
A Sonangol terá sido afectada em milhões de dólares; o ataque ao Minfin afectou alguns dos seus servidores e originou num atraso salarial nos primeiros meses de 2023, que causou um grande desconforto social e muita especulação.
Quanto ao Banco de Poupança e Crédito (BPC), alegou-se na altura “causas desconhecidas que afectaram alguns servidores” e provocaram os problemas que o banco enfrentou.
A direcção do BPC, que se encontrava em reestruturação, afirmou que, logo que foi detectado o ataque à sua plataforma tecnológica, seguiu os protocolos de segurança previstos para proteger a integridade dos activos financeiros dos seus clientes.
Entretanto, mesmo depois do que vazou para o público, os sérios problemas causados à Sonangol, ao Ministério das Finanças e ao Banco de Poupança e Crédito (BPC), além de se ter apontado “ataques cibernéticos”, nada mais se soube sobre o que realmente aconteceu e a que conclusões se chegou então.
Quanto à reivindicação do BlackCat Ransomware Group, é importante salientar que as empresas angolanas não foram as únicas vítimas. Constam ainda empresas de países como a França, EUA, Holanda, Inglaterra, Alemanha, onde a mesma diz ter realizado operações com sucesso.
O grupo também conhecido como “AlphaV” sugeriu ter em sua posse vários dados sensíveis relativos aos negócios das duas empresas angolanas, inclusive contratos firmados e dados de clientes, muitos dos quais foram tornados públicos pouco tempo depois do anúncio da exploração.
Não houve, então, confirmação de alguma relação entre a avaria registada no sistema informático da ENDE e o ataque reivindicado pelo BlackCat. Tanto a ENDE quanto o Grupo Cosal não se pronunciaram sobre o assunto.
Passados poucos meses, a ENDE volta a enfrentar uma situação semelhante, levantando dúvidas e a questão é se a ENDE continua refém dos “hackers”!







