Projecto Morar – Residências estão a ser engolidas por águas vindas do subsolo mas Administração de Viana descarta-se da responsabilidade
Os moradores do Projecto Morar no Luanda Sul, município de Viana, procuraram o Na Mira do Crime em forma de pedir socorro e denunciar o dilema que estão a viver.
Por: Kiamukula Kanuma
De acordo com a explicação de Walter Queirós Fortes, morador há 26 anos no Projecto Morar, por força do decreto Presidencial nº 82/80, que desalojou os antigos moradores da Cidade Alta em 1998, o Projecto esta devidos por vários blocos.
"Aqui onde nos encontramos é o bloco Mota, mas indo directamente para o problema, desde 2010, a Administração de Viana começou a lotear este espaço que estava reservado a linha de água proveniente da bacia da Utanga, construíram casas imponentes como se pode ver, com betão fortificado, subiram os cabocos e a partir de 2017 começamos a sentir os efeitos nefastos das obras dos ricos", disse ao Na Mira do Crime.
Continuando, referiu que cinco vizinhos tiveram que abandonar já as suas residências por conta da infiltração das águas.
"Estou aqui a resistir porque não tenho para onde ir com a família, com estas últimas chuvas de Novembro, tivemos que abandonar por alguns dias, regressamos depois de as águas terem diminuído um pouco. Na altura em que os terrenos estavam a ser vendidos manifestamos a nossa indignação com a Administração na gestão do senhor coordenador Camata. Em 2014 notamos que as águas vinham do subsolo, escrevemos para a Administração e não fomos tidos nem achados".
Hoje a situação agudizou-se e os moradores estão a abandonar as residências, as infiltrações aumentam a cada dia que passa.
"Veja que para ter acesso à minha residência tenho que colocar blocos para não pisar na água", lamentou.
Maria António, anciã de 78 anos de idade, chora: "Ai de mim, restaram apenas as paredes como pode ver, agora vivo num casebre lá no bairro Belo Horizonte, de-vez-enquanto venho ver se o Governo já encontrou uma solução, eu já sou velha , tinha a minha casa na Cidade Alta, correram connosco porque o Governo precisou do espaço, eu como não tenho ninguém, estou aqui", lamenta a anciã.
Em sua opinião, como a Administração tem estado a fazer obras no campo Olímpico, deveria aproveitar fazer uma vistoria ao local, até porque conhece o problema da derivação das águas.
"Então que envie os técnicos para se encontrar uma solução, foi a própria Administração que vendeu o terreno onde não deveria vender, é a culpada de tudo", frisou.
Para Afonso Cordeiro, a situação é gravíssima. "Nós que calhamos aqui na parte baixa, sofremos demais, a água que vem do subsolo junta-se às águas da chuva para piorar a nossa situação".
O cidadão afirma que tem o quintal inundado e quando chove até os quartos ficam inundados. "Com isso as doenças são o prato de cada dia, incluindo os mosquitos, o cheiro nauseabundo das águas que vêm da Utanga, isso tudo tem a ver com as construções feitas no corredor das águas".
A reportagem do Na Mira do Crime, depois de mais de 20 dias aguardando o pronunciamento da Administração, sem êxito, recorreu a um técnico experiente daquela instituição que disse: "Este é um problema da responsabilidade do Ministério da Construção e do Governo da Província, nós aqui não temos capacidade para acudir estes povos, está é a verdade", e mais não disse.







