Discriminadas- Portadoras de HIV suspendem tratamento por falta de alimentos
Um grupo composto por mais de 10 mulheres, ambas residentes no bairro das Bananeiras, Distrito Urbano do Kalawenda, município de Cazenga, viram-se obrigadas a parar de tomar anti-retrovirais, por falta de alimentação. Elas dizem que não conseguem fazer negócio, porque ninguém compra os seus produtos.
Por: Cambuta Vieira.
Desde que passaram a saber do seu estado serológico, a vida dessas mulheres não tem sido fácil, porque a discriminação tomou conta delas, causando transtornos no seu dia-a-dia.
Vanessa Francisco, de 48 anos de idade, foi detectada com esse problema há 14 anos, depois da descoberta, ela decidiu abrir-se com a mãe, que apercebendo-se da situação, espalhou a informação e desprezou-a. Vanessa assumiu que foi prostituía e, nessa vida, contraiu o vírus.
"Desde Novembro que não tomo os anti-retrovirais, porque os medicamentos causam muita fraqueza", justificou, referindo que tem vontade de tomá-los para que possa viver mais tempo, mas não consegue por falta de comida.
"Tentei vender carvão, mas os clientes não aparecem porque dizem ser carvão de uma "sidosa", situação que a constrange ainda mais.
Marisa, uma amiga de longa data, também usava os medicamentos e as melhorias eram assinaláveis, mas a falta de alimentos fê-la recuar. "E, como resultado, conheceu a morte", contou a amiga, com lágrimas nos olhos.
O caso mais recente foi da senhora Lembinha: primeiro morreu a bebé de três meses, depois ela e a seguir o marido de nome Adilson.
Joana Soca Mainguila, de 60 anos, não vê os netos há mais de um ano, tudo porque a nora decidiu abandoná-la por ser portadora de HIV. O que a consola é o facto de o filho ter optado em ficar com ela.
Se um lado, o filho a acalenta, do outro lado está a falta de comida e a discriminação que não tem limites. "Não conseguimos fazer negócio nenhum, pois ninguém compra os nossos produtos, por termos Sida", queixou-se.







