Anciã cega de 82 anos de idade abandonada pelos netos depois da morte do único filho
Uma anciã, cega, de 82 anos idade, atravessa as maiores dificuldades que se possam imaginar. Abandonada pelos netos e familiares a mais velha precisa de ajuda urgente das autoridades e da sociedade em si. Na mesma esteira vive um casal de cegos, cuja situação não é melhor que a da avó Elisa Cahute Cabute.
Por: Mário Cunha
"A minha vida vou levar aonde?" Foi com essa interrogação que a anciã de 82 anos de idade, abandonada à sorte pelos netos e família, em Luanda, denominada Elisa Cahute Cabute, natural da província do Bié, residente actualmente na rua da 'Tia Cêu', bairro de Chapa, município de Cacuaco, começou por contar o terrível drama em que está mergulhada a sua vida.
Falando na língua nacional umbundu, a mais velha descreve: "Já não consigo mais com esta vida, sem apoio da família, durmo num sítio molhado onde chove muito, as chapas de zinco estão podres e não ajudam", lamentava, enquanto contava a situação.
De acordo com a irmã espiritual da anciã, Berta Bambi, vice-coordenadora da Promoção Angolana da Igreja Católica (PROMAICA) e ministra da eucaristia, pertencente à Igreja Católica de São João Baptista, em Cacuaco, foi na rotina de visitas da igreja aos doentes e necessitados que conheceu a mais velha Elisa.
Sobre o dia-a-dia da anciã, disse que tem sido muito difícil, pelo facto dela viver sozinha num quarto sem condições mínimas e condgnas para albergar uma pessoa. Berta Bambi aponta a falta de uma cama e de alimentação diária, como as principais dificuldades da anciã, apesar de a igreja estender as mãos em algumas circunstâncias.
"Nós temos ajudado na questão de alimentação, mas não tem sido suficiente, devido a falta de finanças”, aludiu, acrescentando que a falta de chapas novas no quartoé uma das razões para a infiltração das águas que deixa o quarto todo molhado.
Berta esclareceu também que o único filho da anciã, que a ajudava com o pouco que tinha, faleceu no ano passado vítima de doença. Antes da morte do filho, a anciã vivia num quarto de chapas de zinco com chão de terra vermelha batida.
O referido quarto foi inundado pelas fortes chuvas que abateram em Luanda e, por causa disso, anciã foi colocada no quarto onde o falecido filho vivia, mas os netos recusaram que velha ficasse nele, negando dar assistência à avó, alegando que o pai não os sustentou.
No mesmo quadro de falta de assistência social por parte de quem de direito, está também um casal de cegos há mais de 15 anos, sendo Moisés Numa, de 80 anos de idade e sua esposa, Maria Apanguela, de 78 anos, moradores da rua da Cabine, bairro de Chapa, município de Cacuaco.
Os mesmo contaram ao jornal Na Mira do Crime, que vivem sob tutela de um filho de 42 anos, desempregado, pelo que, segundo o mais velho Moisés, enfrentam várias dificuldade sociais e de saúde.
"Vivo à custa do meu filho, apesar que um deles nos abandonou, este está a sofrer connosco, a minha mulher é cega dos dois olhos desde 2002; depois da trombose, a minha cegueira começou no meu olho esquerdo, ainda com os meus seis anos de idade e, em 2022, apareceu a catarata no meu olho direito", revelou.
O velho Moisés tem esperança de voltar a ver o sol a brilhar, por conta da sua confiança, deixou um apelo e remendação às autoridades ligadas à área da Saúde, empresários e políticos, para que "me ajudem a realizar uma cirurgia em Benguela; senhores empresários, senhores políticos e o pessoal da Saúde, tenham piedade e ajudem-nos", apelou.







