Agentes da polícia cobram ilegalmente 200 a 300 kwanzas a cada viatura e motorizada na "Ponte Partida"
Vários moto-taxistas e taxistas, na paragem da “Baixa de Cassanje”, propriamente na Ponte Partida, no distrito da Estalagem, município de Viana, estão agastados com as cobranças, vulgo "micha", de 200 a 300 kwanzas, que têm sido efectuadas por alguns agentes da polícia a todas viaturas e motorizadas que fazem o carregamento de passageiros no parque de estacionamento, que também é, ao mesmo tempo, mercado e paragem.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com os denunciantes, os mesmos agentes estão destacados na esquadra da Ponte Partida, bem ao lado da paragem da “Baixa de Cassanje” e Boa Fé.
A mesma paragem está dentro de um quintal, sendo ao mesmo tempo mercado e parque de estacionamento. Logo que as viaturas, as motorizadas de três e dua rodas, fazem-se ao local, de imediato, na entrada são taxados os valores já mencionados.
"O que vivemos aqui nesta paragem até já se tornou um hábito", começou por contar um moto-taxista. “Os polícias vêm ao nosso encontro e nos pedem 200 kwanzas, isto já é uma obrigação caso a pessoa não der o dinheiro, eles prendem a viatura ou a motorizada", concluiu.
Para João Savonda, proveniente da província do Bié, “é triste aturar o comportamento da polícia naquela paragem”, porque os mesmos têm salário, sendo assim não deviam primar por essas atitudes de estarem atrás dos motoqueiros e taxistas a fim de pedirem dinheiro.
"Eles ganham um salário, mas ainda ficam aqui todos os dias a nos tirarem o nosso pouco, obrigatoriamente temos que lhes dar 200 ou 300 kwanzas, senão prendem os nossos meios", disse.
Durante a reportagem, a equipa deste jornal flagrou um agente da polícia no primeiro momento, o mesmo rodeado de vários motoqueiros, e foi possível constatar ele a receber dinheiro.
Depois de alguns minutos, o mesmo agente deslocou-se para um outro local e procedeu-se da mesma forma, tendo sido visto também a receber dinheiro.
O Na Mira do Crime seguiu milimetricamente, naquele instante, as acções praticadas por aqueles agentes policiais naquela zona da Ponte Partida e, de seguida, procurou questionar um dos motoqueiros que foi visto a dar dinheiro.
"Dei 200 kwanzas, aqui é assim", revelou o motoqueiro que acrescentou dizendo, "não nos 'safamos' dos polícias e nem temos onde nos queixar", refutou, concluindo que para evitarem problemas com a polícia naqueles arredores são forçados apenas a obedecer dando o dinheiro que lhes é pedido.
Por outro lado, o que chamou a atenção é que na mesma zona, no caso a Ponte Partida, para além da esquadra, há uma outra esquadra móvel e, mesmo com todo esse dispositivo policial, os moradores ainda se queixam de vários assaltos, tudo porque os agentes da polícia estão mais preocupados em "michar" do que garantir a segurança da população, ao que se notou.
Importa também, referir que muitos dos moto-taxistas de três rodas que ali trabalham não têm carta de condução e nem licença, por estarem nessa situação, no sentido de minimizarem o caso dão uma "micha" aos polícias e fazem a sua vida com normalidade, conforme contam.







