Capitania “lavou as mãos”: Naufrágio em alto mar faz sete mortos e três sobreviventes
Sete pescadores de uma embarcação que teve problemas em alto mar estão desaparecidos e a Capitania, que não cumpriu com o seu dever nem encetou as mínimas diligências para encontrar os naúfragos vivos ou mortos, exigiu dos familiares o pagamento do combustível para que realizassem as buscas. Os desparecidos já são dados como mortos.
Por: Kihunga Bessa
O cidadão Pedro Manuel, de 24 anos de idade, morador do bairro Sapú ll, no município de Viana, e mais seis elementos dos dez que seguiam numa embarcação de pesca, estão a ser considerados mortos em consequência de um naufrágio que teve lugar no dia 27 de Fevereiro do ano em curso, numa zona próxima da Barra do Dande.
Vilma de Oliveira, irmã mais velha da vítima, disse a este Jornal que seu irmão dedicava-se à actividade de pesca há três anos, com o senhor Mário, dono da embarcação OLONITA.
O infortúnio ocorreu no passado dia 27 de Fevereiro do ano em curso, quando Pedro Manuel decidiu sair com uma outra embarcação, para efectuar mais uma actividade habitual.
Infelizmente, no período das 23 horas do mesmo dia, já em alto mar, numa zona denominada “das gimboas", nas imediações da Barra do Dande, a chata foi invadida pela água deixando-os sem hipótese de navegação, permanecendo no local durante três dias, até que o mestre decidiu que saíssem da chata por cima de pranchas à deriva, para buscar ajuda.
Quem encontrasse primeiro, deveria voltar para resgatar os outros; foi assim que sete deles desapareceram.
A interlocutora explicou ainda que a família teve conhecimento do ocorrido apenas na segunda-feira, 4 de Março, quando um tio ligou para informar o sucedido.
Foi assim que a mesma deslocou-se até a praia da Mabunda, com a finalidade de saber mais sobre o ocorrido e tomou conhecimento de que do naufrágio havia três sobreviventes.
Avançou que na mesma segunda teve contacto com o terceiro sobrevivente que informou sobre a tragédia, explicando que a embarcação partiu para o alto mar com excesso de efectivos, transportando 10 no caso, sem os meios de segurança necessários como bombas para evacuar a água em casos de inundação da chata, tal como aconteceu, nem os coletes salva-vidas.
Vilma de Oliveira referiu também que, depois da informação obtida, os familiares deslocaram-se até ao Porto de Luanda, onde fizeram uma participação através do SIC, tendo sido encaminhados para a Capitania, no sentido de se efectuar o resgate, ou então recolher os corpos mas, infelizmente, aquela direcção pediu para que a família contribuísse com 30 mil litros de combustível para o efeito.
Ante o exagero do pedido de 30 mil litros de combustível, questionou-se a cidadã se compreendera bem e a mesma afirmou dizendo que sim e que a família ainda tentou ajudar com 100 mil Kwanzas, o que foi recusado, porque só aceitavam mesmo 30 mil litros de combustível.
Uma situação que exige medidas urgentes de quem de direito!
"Naquele momento em que fomos solicitar à Capitania para que efectuassem as buscas, tinha passado apenas sete dias desde o ocorrido e ainda tínhamos esperança de ver o nosso irmão, mas em função das voltas que recebíamos, mais a exigência dos 30 mil litros de combustível, aí começamos a ver as coisas cada vez mais complicadas", lamentou.
Em sua opinião, houve pouco interesse dos órgãos afins em ajudar no resgate ou então fluir a informação para que outras embarcações prestassem a ajuda necessária.
"Diante de toda situação, o proprietário da embarcação em causa ainda tentou movimentar outras embarcações para prestar ajuda, mas sem sucesso", explicou.
Matias Ebo, pai da vítima, lamenta o sucedido e atribui culpa à Marinha de Guerra e à Capitania que tomou conta da situação quatro dias depois do sucedido, e por não inspeccionar a embarcação antes da partida.
"A lei determina apenas seis elementos por cada embarcação, e esses foram 10, que constituía excesso, e como se não bastasse, sem equipamentos necessários, onde estava a fiscalização da Capitania?", questionou o pai inconformado.
O cidadão acrescentou que na segunda feira, 10, foram informados que não havia mais qualquer hipótese de encontrar os corpos, já considerados como mortos através do SIC da Camuchiba.
Importa referir que já se passaram 19 dias desde a ocorrência e os corpos não aparecem; as sete famílias já realizam os óbitos sem esperança de realizar funerais condignos dos seus ente-queridos, e apelam aos marinheiros, caso haja presença de algum corpo em qualquer costa marítima, para informar aos órgãos de comunicação social para possível divulgação.







