ENDE-EP deixa mais de 1.500 famílias às escuras no município de Belas
Mais de 1.500 famílias residentes nas denominadas áreas cinzentas na Quinta das Bananeiras, ruas 34, 35 de cima, nos Sectores 7/8 e na Avenida Lúcio Lara, na zona Verde III, do Distrito Urbano de Cabolombo, município de Belas, foram privadas do fornecimento de energia eléctrica por, supostamente terem uma dívida milionária com a Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE-EP).
Por: Kiamukula Kanuma
Segundo moradores, a situação lhes é alheia, porque foi causada pela contenda que opõem a ENDE-EP e os agentes dos Pt's privados como a Temalux, Tony Simão e Ebreu.
Os moradores, em entrevista exclusiva a este Jornal, disseram que “na Zona Verde III, no Distrito Urbano do Cabolombo, acima de 1.500 famílias estão às escuras há mais de 60 dias por uma situação que não tem nada a ver com eles, mas tudo tem que ver com uma dívida estimada em mais 120 milhões de Kwanzas contraída pelos Agentes Autorizados que gerem os PT,s como: A Temalux (gerida por Lázaro Francisco, tendo como dono o senhor Cosmo Damião); os PT's de Tony Simão e Ebreu que, por irresponsabilidade, não pagam à ENDE-EP.
Gracinda Ribeiro, residente há 14 anos no bairro do Cabolombo, estabeleceu o contrato em 600 mil Kwanzas e uma renda mensal de 12 mil Kwanzas na Temalux, na gestão dos sócios Tony Simão, Abel e Cosmos Damião, no sector 8, nas ruas 53 a 63.
"Estamos privados de energia desde 29 de Fevereiro, mas as ruas 34 estão há dois meses, segundo o técnico do Temalux, a ENDE-EP retirou a ampola, uma peça fundamental para normalizar a distribuição da energia”.
Ângelo Victoriano, ex-internacional de Basquetebol, residente há 10 anos, mostrou-se estressado com a situação que se está a viver.
"Eu, particularmente, tenho dois meses pagos adiantados, mas pela irresponsabilidade dos donos dos PT,s nós moradores é que pagamos; temos que comprar todos os dias os frescos, tornando o custo de vida ainda mais difícil. O pior é que eles até nem sequer residem aqui", disse.
O Bairro já é melindroso no que tange à criminalidade, e com esta situação, tornou-se pior.
"Temos que nos recolher às 19 horas e sair às 05 horas e 30 minutos", precisou, revelando que têm que dormir com um olho aberto, pois, a qualquer momento, podem ser surpreendidos pelos marginais.
Luís Caninha, outro morador e membro da Comissão de Moradores (SOS), disse que têm as contas pagas e há dolo nas entidades gestoras e má fé da ENDE-EP, porque a Empresa Pública tem outros mecanismos de resolver a situação.
No entender de Luís Caninha, desta feita, pode a ENDE-EP restituir a energia aos moradores e privar a gestão dos PT,s destas pessoas.
"Nós devíamos pagar directamente à ENDE-EP", sugere.
Duas mortes em três assaltos
De acordo com os moradores, “as consequências da falta de energia já se fazem sentir. A morte de Salomão Sebastião, Oficial da Força Área Nacional, é uma delas que, segundo os vizinhos, se houvesse energia poderia ser evitada.
Assaltos em cantinas de cidadãos oeste-africanos e pastores são também frequentes e não têm hora.







