'Camartelo' deixa centenas de famílias ao relento no bairro Benção de Deus em Cacuaco
Os moradores do bairro Benção de Deus, no município de Cacuaco, viram as suas residências a serem deitadas por terra, a mando do administrador Auxílio Jacob e do general Fernando Ribeiro, que pretendem transformar o local em um condomínio, acusam moradores.
Por: Solange Figueira
O coordenador do bairro, que clama por ajuda, disse que desde 2020 que uma empresa chinesa está a desenhar um condomínio no referido espaço, com o consentimento da alta patente das FAA, das administrações de Cacuaco e Sequele (Francisco Chipilica) com o apoio da Polícia Nacional, na pessoa dos comandantes Gaspar e Bolingó.
A equipa de Reportagem deste Jornal deslocou-se ao referido bairro, onde constatou que duas máquinas estão em acção, destruindo residências de blocos e casebres de chapa.
Um aparato policial reforçado pelos fiscais está no local a prevenir qualquer desacato. Ainda assim, os moradores estão presentes a reprovarem a acção das autoridades tendo alguns sido espancados, detidos e levados à prisão.
Teresa Rocha, moradora do bairro, desde 1992, conta que na noite de segunda-feira, 18, às 23 horas, viram a coordenadora conhecida apenas por Rosa, a circular na companhia de quatro jovens e, no dia seguinte, 19, foram surpreendidos com máquinas e homens da polícia e da administração que começaram a destruir as casas.
O presidente da associação dos camponeses, Albano Cassete, também é tido como conivente e está à frente das negociações para as casas serem demolidas e tirar dividendos.
“Vivo neste bairro há muitos anos, meus pais morreram aqui, meus filhos nasceram aqui e, com a destruição da minha não tenho onde morar", implorou Rebeca, aos prantos.
Fragoso Gandua, por sua vez, disse que esta é a segunda vez que as casas estão a ser demolidas.
Num passado recente, tiveram uma reunião com a antiga administração, que passou um documento de cedência de terrenos, mas, mesmo assim, na manhã desta terça-feira, foram surpreendidos com as demolições, cujos autores não apresentam nenhum documento, apenas partem para agressão.







