Huíla – Director da UNISCAA acusa governantes de se aproveitarem da penúria dos cegos para obter benefícios
Director executivo da União Nacional de Inclusão Social dos Cegos e Amblíopes de Angola (UNISCAA), na província da Huíla, denuncia governantes de tirarem proveitos em detrimento dos deficientes visuais.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
Cláudio Martins Muango, director executivo da União Nacional de Inclusão Social dos Cegos e Amblíopes de Angola (UNISCAA), na província da Huíla, lamenta a exclusão e abandono da pessoa com cegueira por parte do Executivo angolano, apesar de já ter havido um encontro com o Presidente da República, João Lourenço, em que ficou registada a promessa de apoios aos deficientes visuais.
De acordo com, Cláudio Martins Muango, “a miséria tomou conta dos cegos, por insuficiência de condições alguns deficientes visuais mendigam na via pública onde são espancados e atropelados por indivíduos de má fé”.
Disse ainda que a associação possui um autocarro mas encontra-se em estado avançado de degradação, carecendo de outro meio para apoiar os alunos com deficiência visual e não só.
“No dia 12 de Junho de 2023 recebemos no Lubango uma delegação do Ministério da Educação, liderada pela ministra da Educação, Luísa Grilo, Laureano Sobrinho, director nacional para Educação, bem como o chefe do departamento dos Recursos Humanos do Ministério da Educação, e o do instituto nacional para Educação Especial, com o objectivo de verificar a realidade sobre o processo docente, educativo especial, a qualidade do corpo docente e sua situação salarial, habilidades destes na escrita Braile, língua gestual e outras técnicas pedagógicas especiais”, descreveu.
O director da UNISCAA disse que “a Sra ministra pediu uma série de processos individuais para os professores e funcionários administrativos, desde certificados originais, cópias do BI, número de contribuinte e de contas bancárias correspondentes a 46 professores e 11 funcionários administrativos, visando inseri-los no sistema financeiro do Estado, garantia feita pela titular da pasta, mas que nunca aconteceu na prática até ao momento”, lamentou.
A UNISCAA, segundo Cláudio Martins Muango, atendendo a demora para a efectivação desse processo, “entende que esta equipa ministerial terá feito um juízo completamente distorcido das actividades docente-educativas desenvolvidas na nossa escola, o que não é verdade”.
Cláudio Martins Muango acusa o director nacional para Educação, Laureano Sobrinho, de impedi-lo, enquanto director executivo da UNISCAA na Huíla, de participar na Conferência da Educação inclusiva, que decorreu em Luanda no mês de Setembro de 2023.
“Lamentamos o comportamento da equipa que está com o documentos originais dos professores, sem dizer nada”, realçou, acrescentando que, “quando ligamos para os terminais telefónicos dos mesmos, não atendem. Tentamos contactar o director dos Recursos Humanos do Ministério da Educação, o mesmo limitou-se apenas em menosprezar a direção da UNISCAA, ignorando o trabalho feito pelos professores afectos ao centro administrativo Maria do Céu no Lubango”.
Por outro lado, o responsável referiu que têm em vista a transformação da UNISCAA numa organização de utilidade pública, no sentido de mitigar a carência das pessoas com deficiência visual, assim como a de seus familiares.
Igualmente, explica que, recentemente, o Ministério dos Transportes enviou autocarros para a província da Huíla, “dos quais esperávamos que saíriam dois, prometidos pelo ministro Ricardo de Abreu, numa audiência mantida com os deficientes visuais no dia 13 de Agosto de 2022”.
Cláudio Martins Muango aponta o dedo ao governo da Huíla, acusando-o de ter desviado os referidos meios de transporte, que seriam para auxiliar a instituição que dirige.
Noutra vertente, garantiu ter havido um encontro com a ministra de Estado para a Área Social, Dalva Ringote, no dia 10 Agosto de 2023, tendo a governante prometido aos deficientes visuais que seria feito um depósito de 35 milhões de kwanzas na conta da UNISCAA no prazo de uma semana, facto que nunca se concretizou.
“Outra promessa tem a ver com a entrega de 10 casas aos mais vulneráveis, mas infelizmente o responsável indicado pela ministra, Juvenis Paulo, não atende o telefone desde o dia 17 de Agosto de 2023 até à data presente, violando o lema ‘trabalhar mas e comunicar melhor’, referiu cabisbaixo.
Neste momento, sublinhou, “não temos nada, enfrentamos sérias dificuldades desde a alimentação ao vestuário, habitação, só para citar alguns”.
A UNISCAA na província da Huíla controla oito mil pessoas com deficiência visual!







