Famílias com mais dificuldades para adquirir três refeições ao dia e economista reprova métodos do Governo
Tornou-se mais díficil para as famílias, sobretudo aquelas de baixa renda, fazer ao menos uma refeição ao dia, ao passo que duas ou três refeições, devido ao elevadíssimo custo da cesta básica, seja nos mercados formais ou informais, tornou-se um sonho impossível de se materializar.
Por: Cambundo Caholua
O Na Mira do Crime fez uma ronda pela periferia da capital do país, passando pelos mercados da Estalagem, Congolenses, Km-30, Asa Branca, Kikolo, assim como em algumas lojas, supermercados e cantinas, afim de constatar in loco os preços dos bens de primeira necessidade praticados nesses centros comerciais, viu o sofrimento e ouviu o clamor não só dos consumidores, mas também dos próprios vendedores.
Notou-se que, por exemplo, a massa alimentar, o arroz e o óleo vegetal estão entre os produtos que mais alteram os preços constantemente.
Em comparação ao ano de 2023, isto no mês de Dezembro, nessa altura, o saco de arroz era comercializado ao preço de 21.500 a 22.000 kz, agora está a ser vendido entre 27.500 e 28.750 Kz, ao passo que a massa alimentar que era vendida entre 5.500 e 6.000 kz, agora está a ser comercializada entre 7.500 e 9.000 kz, já o óleo vegetal anteriormente 25 litros era comercializado ao preço de 38.500, agora passou para 41.875kz, enquanto que 5 litros de óleo que custava 6.700 Kz, agora passou para 9.000 Kz, 1 litro está entre 2.000 e 2.500 Kz, dependendo da qualidade.
O saco de açucar de 50 kg, depois de uma subida considerável no ano passado, este ano, no intervalo de Janeiro a Fevereiro já estava a ser comercializado a preço que variava entre 50.000 e 60.000 kz, mas em Março do ano em curso voltou a disparar para 73.000 kz.
A caixa de peixe carapau de 30 kg, anteriormente comercializada ao preço de 42.000 kz, agora está entre 49.500 e 59.500 kzs, dependendo da qualidade, ao passo que a caixa de coxas de frango de 10 kg que era comercializada ao preço de 16.000 kz, agora custa 17.590 kz. Para só se fala destes produtos.
Ao comentar sobre o assunto, o economista Carlos Rosado de Carvalho, falando ao Na Mira do Crime, definiu três eixos decisivos que são o cerne da inflação que o país vai registando.
"A subida dos preços tem duas ou três explicações. A primeira é: muitos dos produtos que nós consumimos são importados e o Kwanza sofreu uma grande desvalorização. Portanto, isto acaba por se repercutir nos preços dos produtos em Angola, quando o Kwanza desvaloriza, os preços dos bens importados em Kwanzas ficam mais caros".
Prosseguindo, o economista disse, "a outra justificação tem a ver com o facto de termos diminuído as importações, não há dólares, e além de não haver dólares, o governo também impôs algumas restrições às importações. Portanto, as restrições às importações significam que há menos oferta. O governo contava que a produção interna respondesse, mas aparentemente não está a responder e portanto, se há menos oferta e há mais procura, os preços sobem, essas são duas das principais justificações".
"A outra também é o sistema usado pelo governo para proteger a produção nacional, favorece os produtores nacionais e os mesmos tendo algum poder, aumentam os preços, devido a pouca oferta, e depois isso pesa no bolso do consumidor que já perdeu o seu poder de compra", acentuou.
O economista acrescentou que, o Executivo de João Lourenço, ao invés de proteger a produção nacional através de licenças de importação, que tem dificultado em muito os importadores, no seu entender, o Governo devia optar por via de taxas de importação, de forma a se minimizar os preços que têm estado em alta no país.
Já comerciantes e consumidores, que antes faziam sociedade, vulgo “sócia”, entre duas pessoas, actualmente, devido a subida dos preços, verifica-se que o método agora é praticado por três ou mais pessoas, afim de adquirirem um produto.
"Hoje, tanto nós as vendedoras como os que precisam levar para casa, está difícil comprar uma caixa de coxas ou outro produto sozinha, antes a ‘sócia’ era feita por duas pessoas, agora são três ou mais", revelou Maria Sandra, vendedora do mercado do Km-30.
"Realmente, tenho que admitir que as coisas subiram, eu nunca pensei em fazer ‘sócia’, não conhecia o que era isso, mas esta semana fiz sociedade de uma caixa de peixe carapau", assumiu a senhora Cristina Aleluia, funcionária pública.







