Segunda fase da greve geral da função pública na Huíla prossegue entre intimidações e receios
A Greve geral da função pública na Huíla, na segunda fase, conta com a aderência de professores, médicos, enfermeiros, funcionários da justiça, entre outros.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla) e Cambuta Vieira
A segunda fase da greve geral da função pública, iniciada segunda-feira (22), pelas centrais sindicais em reivindicação de aumento salarial e redução dos impostos, é uma realidade nos sectores da Educação, Saúde, Justiça e demais sectores descontentes com a situação actual.
Constatou-se, entretanto, que o sector privado trabalha com normalidade no Lubango.
Numa ronda efetuada pelo Na Mira do Crime, foi notório nas escolas e hospitais públicos, a ausência de professores e alunos, enfermeiros, médicos e funcionários da justiça, onde a greve é uma realidade.
Alguns alunos que se dirigiam às instituições de ensino tiveram de regressar à casa. José António, pai e encarregado de educação, mostra-se preocupado com a paralisação da greve geral na função pública.
Segundo o cidadão, essa situação vai trazer muitas consequências aos alunos, no que diz respeito ao nível de aproveitamento.
"Queremos que o governo respeite e resolva os pontos apresentados pelas centrais sindicais para sanar esse problema", pediu.
Outro cidadão, Jorge dos Santos, corrobora com a opinião e entende que a paralisação da segunda fase da greve geral, por falta de consenso entre as centrais sindicais e o Executivo, vai quebrar o ritmo dos alunos.
"Sabe-se das consequências que isto trará aos alunos, mas o objectivo desta greve é melhorar as condições de vida dos professores, assim como dos demais funcionários de outros sectores, se não haver paralisação das aulas, o governo não vai resolver os tais pontos apresentados", afirma.
Para Sandra Inácio, professora do ensino primário, justifica-se a segunda fase da greve geral, porquanto "o Executivo anda de braços cruzados, sem fazer nada para o bem da classe docente e não só, é necessário que sejam resolvido os pontos apresentados pelas centrais sindicais".
De acordo com o professor Celestino Máquina, a partir do município da Matala, "alguns professores aderiram a greve e outros não. Certos professores não querem aderir à greve, estão com medo de retaliações e serem descontados nos seus salários". Assim, entre intimidações da entidade patronal, desinformação e receio de retaliações por parte de alguns funcionários, prossegue a segunda fase da greve da função pública na província da Huíla.
Luanda não foge a regra
Em Luanda, parte significativa de funcionários públicos aderiram a greve. A equipa deste jornal fez uma ronda em algumas instituições públicas do município do Kilamba Kiaxi, começando pela Escola Pública número 8052, localizada no bairro da Vila Estóril, distrito urbano do Golf 1, onde ficamos a saber que alguns professores fizeram-se presente no período da manhã, porém, nenhum professor entrou na sala de aula.
Daí rumamos até a loja de registo localizada no quintal onde funciona o Tribunal de Comarca de Belas. Aí, fomos informados por um agente da PNA, que nenhum funcionário estava a trabalhar, apenas o tribunal funcionava, mas de forma titubeante. Ainda no mesmo município, o colégio público 1158, estava com os portões fechados, aliás, este foi o diagnostico nas escolas um pouco por toda capital.
Nos hospitais, os de referencia mantêm os serviços normais, enquanto que nos centros médicos, a realidade é diferente, a greve é notável.







