Funcionários da Morgue Central de Luanda fazem mixa com os cadáveres
Os munícipes que recorrem à Morgue Central de Luanda denunciam o excessivo pedido de dinheiro por parte de funcionários afectos àquela casa de conservação de cadáveres que, para além dos emolumentos oficiais que são pagos via bancária, os familiares são atraídos a pagar um outro valor para o corpo do seu ente-querido ser bem conservado.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os familiares disseram à nossa reportagem que o extorso por parte de funcionários não é uma situação recente; já alguns anos, os implicados criam situações de pequenos embaraços para lograrem mais algum dinheiro.
Mário, cujo corpo de sua mãe se encontra no local, disse ter ficado chocado quando se deparou com a forma como os corpos têm sido depositados, uma vez que recebeu a informação de pessoas próximas de haver melhorias naquela Morgue de Luanda. "Um dos funcionários pediu quatro mil Kwanzas para colocar o corpo num local mais condigno; já que os corpos são amontoados, não importa a idade nem o sexo”, constatou, considerando faltar humanismo e respeito pelos mortos.
A senhora Domingas, que no momento se encontrava na Morgue para averiguar o estado de conservação do corpo de sua tia, disse ter chegado por volta das 08 horas da manhã e, até às 09 horas e 30 minutos ainda não tinha sido atendida, pois, no momento do depósito do corpo, foi pago um dinheiro para garantir a melhor conservação e precisava certificar do cumprimento do acordo por parte dos funcionários.
"Pediram-nos cinco mil Kwanzas, mas entregamos apenas quatro mil, para colocar o corpo num local para melhor conservar, hoje voltamos para certificar se foi posto, estão a dar voltas para mostrar a gaveta; estou passada com estes senhores", admitiu.
Senhor Pedro, ex-funcionário de uma empresa de segurança que prestava serviço a Morgue, segredou que o esquema envolve todos os funcionários, desde os seguranças ao secretário. "O ponto principal é conseguir uma mixa por parte dos familiares, porque existem gavetas reservadas para o negócio”, denunciou, salientando que assim que os familiares chegam, coloca-se a proposta; quem não tiver a possibilidade de pagar, o cadáver do seu ente-querido é posto nos amontoados.
Assegurou ainda que, quase todos os dias, há conflitos com os funcionários por causa da recepção do dinheiro e o não cumprimento do combinado. "As câmaras que melhor conservam são as que se encontram logo na entrada, às vezes os funcionários esquecem de cumprir o acordo, ou retiram o cadáver para colocar um outro, por isso há sempre discussões por troca de corpos”, atestou.







