Bengo - Ataques tribais fazem 06 mortos na comuna do Úcua
Há registo de pelo nos 06 mortes na comuna do Úcua, província do Bengo, por causa do tribalismo, uma situação diante da qual as autoridades fazem vista grossa.
Por : Solange Figueira
De acordo com os moradores e trabalhadores provenientes das províncias do Uíge e de Benguela, estão a sofrer agressões físicas e ataques tribais constantemente.
De Março a Abril deste ano, pelo menos 06 pessoas morreram devido ao tribalismo. Outras 10 escaparam. Fonte deste Jornal adiantou que a administração comunal do Úcua e o Governo Provincial têm conhecimento, e nada fazem para solucionar o problema. "Portam-se como se de um falso problema se tratasse", salienta.
Senhor Pedro, morador da comuna do Úcua, afirmou que saiu da província do Uíge em 2017 para trabalhar na província do Bengo mais precisamente na plantação de batata e hortaliças, "mas, por ciúmes" dos residentes natos da província do Bengo, ele e outros companheiros estão a sofrer agressões severas. "Nem mesmo os meus filhos e mulher estão a ser poupados", disse.
"Viemos trabalhar, mas tudo que encontramos aqui é morte", referiu, contando que presenciou numa noite, às 22 horas, um jovem de Benguela a ser agredido com paus, garrafas e pedras até morrer, quando se dirigia à uma farmácia comprar medicamentos para o filho doente. Os agressores pronunciavam expressões xenófobas e tribais. "Diziam que caso não fôssemos embora, matar-nos-iam um a um porque a terra não é nossa ", denunciou, acrescentando que eles estão no Bengo apenas para trabalhar e não para fazer mal a ninguém.
Dada a gravidade da situação, apresentaram as ocorrências à administração comunal para dar solução, mas até agora os agressores continuam a perseguir pessoas que não são naturais da região.
"Muitos deles têm sido detidos, mas acabam soltos, e quando voltam à comunidade aumentam a sua ferocidade, perseguindo os denunciadores", revela Pedro.
Malugo, camponês, conta que todos os casos de tribalismo que acontecem na aquela comuna têm sido relatados ao governo Provincial do Bengo, desde 2014 altura em surgiu o primeiro caso.
"Remetemos um documento solicitando audiência ao governador e também ao Rei Coma Na Uta e até hoje ninguém nos ajuda”, disse reforçando que querem apenas trabalhar.
Eles dizem que dormem em estado de alerta máximo para minimizarem as perseguições e matanças. Esta medida tem se revelado eficaz, tendo em conta que há dias, um jovem de 18 anos que tinha caído numa emboscada, pôs -se aos gritos e foi possível salvá-lo das garras dos algozes que tinham todo material para linchá-lo.
Dona Rosa clama por socorro, porque os seus filhos, netos e sobrinhos por não nascerem no Bengo, correm perigo de vida.
"Nos dizem que nós temos apenas catanas, mas eles têm armas e com elas nos podem matar mais depressa", afirmou.
A administradora da Comuna do Úcua, Lúcia Pedro, disse que é do seu conhecimento que os Bacongos e outros grupos étnicos remeteram uma carta para o governo da província do Bengo.
No entanto, negou existir tribalismo ou genocídio na província. O que se passa, adiantou, é aparecerem algumas pessoas assassinadas, mas tais casos estão sob investigação.
Negou também estar por detrás das 06 mortes registadas até aqui de cidadãos naturais do Uíge e Benguela.
"Nós abrimos a nossa província para recebermos pessoas de outras proveniências para trabalhar aqui no Úcua, não para as matarmos", asseverou, presumindo que estas mortes tenham como pano de fundo a luta de poderes de terras entre eles porque estão a ver que o espaço está pequeno para todos trabalharem.
"Eles também mandaram uma carta ao governador do Uíge, e eu respondi com a verdade: para que estás mortes parem de acontecer estamos a abrir mais espaços para que os camponeses que até hoje ainda procuram espaços para trabalhar trabalhem com segurança", assegurou a administradora.







