Especulação da tarifa - SIC não vê o que taxistas fazem aos passageiros ?
Quando soou a notícia da subida da tarifa de táxis de 150 kwanzas para 200, a vida de passageiros tem, de alguma forma, perdido sentido, devido a especulação de preços de cada corrida. Desprotegidos e sem saída, a alternativa para muitos passageiros tem sido ir a pé ao serviço, numa altura em que o SIC se apresenta distanciado desta realidade.
Por: Solange Figueira
Há uma combinação perfeita entre motorista, cobrador e lotador: um define as rotas, o segundo estabelece o preço por cada rota e o último corrige ou aprova o preço e, em função disso, define o valor que lhe cabe.
Acontece que para além da subida da corrida, os taxistas encurtam as distâncias, sacrificando ainda mais os passageiros, que são obrigados a ficarem longas horas nas paragens, onde os marginais também fazem das suas.
A nossa equipa de reportagem foi a vários pontos da cidade e constatou que alguns taxistas, para além de aumentarem os preços e fazerem linhas curtas, a desorganização no carregamento de passageiros acontece de modos a dificultar quem já passa mal.
Da paragem do Congolenses, para a Vila de Viana, por exemplo, o preço estipulado é de 200 Kwanzas, mas são localizáveis os taxistas a cobrarem 300 Kwanzas. A 200 Kwanzas, só se for dos Congolenses até ao Grafanil Bar e Estalagem/Moagem.
Na paragem do Zango, o espírito de revolta pela subida do preço do táxi está à flor da pele. Até ao Zango 04 apanham-se também 04 táxis de 200 Kwanzas de um Zango para o outro, totalizando 800 Kwanzas. Feitas as contas, dos Congolenses até à última paragem do Zango 03, ida e volta, gasta-se 2.400 por dia.
Ainda na paragem do Zango, a nossa equipa de reportagem constatou que até ao Benfica, cobravam-se 500 Kwanzas, mas agora decidiram cobrar 700 Kwanzas, havendo aqueles que cobram até 900.
Para os que vivem em Cacuaco e em zonas de acesso difícil, o recurso tem sido as motorizadas de três rodas que cobram apenas 200 Kwanzas. No entanto, as motorizadas de duas rodas são mais caras. Para os bairros Augusto Ngangula, Kicolo da Conduta, Vidrul e Cerâmica, os moto-taxistas, seguindo mania dos azuis e brancos, também implementam o aumento de 200 para 300 Kwanzas ou mesmo 500, se for tarde demais.
Já do São Paulo para Cacuaco, a tarifa é de 400 Kwanzas "para quem quiser, quem não quiser que compre o carro dele", tal como recomendam os cobradores.
Da Gamek à direita para o São Paulo, o cidadão Bary conta que teve de desembolsar 1.200 Kwanzas.
Taxistas e cobradores reagem
João Pedro, taxista, defende-se e diz que o aumento do preço é feito por causa das longas distâncias das corridas, enquanto as linhas curtas são justificadas com o facto de muitos não aceitarem pagar 500 kz ou 300.
Rosário Lopez, lotador, refere que depois da entrada em vigor do aumento da tarifa dos transportes colectivos e públicos a demanda diminuiu e as paragens estão mais vazias. "As pessoas estão a deixar de apanhar táxi porque o dinheiro que ganham não chega para pagar transporte ao valor que se exige", reconheceu.
Depois da ronda feita nas paragens de táxis e nos táxis colectivos nossa equipa foi conferir a realidade dos transportes públicos, onde as filas nas paragens dos autocarros são enormes.
Orlando Dongala disse que apanhar autocarro, porque o dinheiro que ganha não chega para pagar táxi. "Eu ganho 120 mil e para chegar ao serviço tenho que gastar 55 mil Kwanzas mensalmente, só em táxis" , ilustrou.







