Visita do PR à Huíla precipita administrador da Matala a 'repetir' uma onerosa terraplanagem
A visita do Presidente da República ao município da Matala, faz com que a Administração local efectue uma terraplanagem já feita anteriormente, consumindo avultados recursos do erário.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
A Administração municipal da Matala está a repetir a terraplanagem do troço que liga a sede municipal ao sector do Freixiel, numa distância de 26 Km, que custou aos cofres do Estado 350 milhões 890 mil e 075 kwanzas, trabalho já feito em 2020.
A nova terraplanagem acontece por causa de uma visita que o Presidente da República, João Lourenço, vai efectuar dentro de dias àquele município.
A execução física dos trabalhos e sua requalificação tiveram início segunda-feira, 27 de Maio do ano em curso, ao passo que, anteriormente, as mesmas obras, realizadas no âmbito do PIIM, tiveram início aos 15 de Maio de 2020, com data de conclusão a 15 de Novembro do mesmo ano.
As obras estiveram a cargo do grupo AP Construções, empreiteiro, com fiscalização da PALUCK LDA, sendo o dono da obra a Administração municipal da Matala, com supervisão do Gabinete provincial de Infra-estrutura e Serviços Técnicos.
Os populares ouvidos pelo Jornal Na Mira do Crime dizem que a terraplanagem feita anteriormente já se encontra em estado degradado.
Neste momento a Administração municipal da Matala está a proceder à limpeza de algumas ruas no interior da sede municipal, pintura em árvores, bem como de algumas casas, manutenção de energia eléctrica, de modos a dar uma boa imagem, devido à chegada do Presidente da República àquelas paragens.
Os cidadãos explicaram igualmente que, no ano de 2020, aconselharam o administrador, Miguel António Paiva Vicente, no sentido de se asfaltar os troços Matala - Cuvelai, bem como da sede municipal ao sector do Freixiel, em vez de uma simples terraplanagem, por causa das fortes chuvas que caíem naquela região, algo que não foi feito.
Em virtude das enxurradas, os dois troços ficaram totalmente degradados em pouco tempo e nunca voltou a merecer a atenção da Administração.
"Agora, devido ao anúncio da vinda do Presidente João Lourenço, estão preocupados e voltam a gastar avultados recursos com mais terraplanagem para mostrar trabalho", referem os cidadãos.
"Não há vontade de trabalho por parte do administrador municipal, Miguel António Paiva Vicente, nós, enquanto munícipes, pedimos várias vezes a sua exoneração", acusam.
Os munícipes denunciam igualmente haver desvio de fundos públicos para benefício próprio por parte daquele gestor, sobretudo por falta de explicação do que se faz com o dinheiro arrecadado na portagem sobre a ponte do rio Cunene.
"Queremos saber onde tem sido cabimentado este valor, algo que deve ser corrigido", reclamam.
Os matalenses apontam o dedo ao governador provincial da Huíla, Nuno Mahapi, por estar a ser muito flexível e proteger Miguel António Paiva Vicente.
Segundo os populares, os maus gestores devem ser afastados, principalmente quando não são capazes de resolver problemas básicos e não dão destino certo ao erário. "Por isso pedimos mais uma vez que o administrador municipal da Matala deve ser exonerado", reiteram.
Os munícipes denunciaram também a vandalização de que o cemitério, já encerrado há um bom tempo, próximo à praça do Tchalitama, está a ser alvo, bem como a construção de casas por cima das campas no cemitério do bairro Cahululu.
"Actualmente, o cemitério adjacente à praça do Tchalitama tornou-se quarto de banho de muita gente. Pedimos várias vezes à administração local, no sentido de vedar aqueles espaços para não serem vandalizados, já enviamos vários documentos à Administração municipal a respeito do assunto, mas até aqui sem resposta", afirmaram.
Os cidadãos declararam que, alguns jovens trabalhadores da administração municipal ligados ao partido no poder, dizem mesmo não haver qualquer projecto para vedar os dois cemitérios.







