No Bengo: Mais de 300 Trabalhadores da Odebrecht entram em greve por baixos salários e maus-tratos
Cerca de 300 trabalhadores da empresa Odebrecht Engenharia Construção e Indústria (OECI), responsável da construção do terminal oceânico da Barra do Dande, na província do Bengo, estão, desde esta quarta-feira, sem colocar a "mão na massa", pelo facto daquela instituição entender em não reajustar os salários e reaver os subsídios, um braço de ferro que já perdura desde 2023.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com os funcionários que denunciaram o facto a este jornal, o grupo paralisou os trabalhos na quarta-feira, 29, tendo em conta uma série de exigências que, desde o ano passado, colocaram à mesa para serem discutidas com a entidade empregadora, e que até à presente data não há um desfecho favorável.
Os trabalhadores exigem um reajuste dos salários conforme a categoria de cada profissional e reaver os subsídios de alimentação, de risco, transportes e segurança no local de trabalho. Também dizem que os sindicalistas que representam os trabalhadores foram corrompidos e, diante dessa situação, sempre que foram consultados apenas remetiam-se ao silêncio.
Por outro lado, a OECI construtora contratada pela maior empresa petrolífera do país SONANGOL, para construir aquele que, dizem, será um dos maiores reservatórios de combustível a nível nacional, é acusada de remunerar os trabalhadores não conforme, violando as categorias e tempo de serviço.
Os trabalhadores alegam que tanto os salários como os subsídios devem ser pagos tal como outras empresas do ramo petrolífero fazem.
"Nós, praticamente, não temos subsídios de férias, porque quando o trabalhador entra no gozo de férias, a empresa coloca lá o tal subsídio, mas quando o funcionário regressa para trabalhar não pagam o seu salário, alegam que naquele mês não produziste", culpou um dos funcionários sem ser identificado.
"Aqui na empresa OECI ainda há ajudantes de salários de soldadores que continuam a ganhar 60 ou 70 mil Kwanzas, enquanto um mestre aufere entre 150 e 180 mil Kwanzas, isso não é admissível", criticou um dos trabalhadores.
Os mesmos funcionários queixam-se ainda da falta de subsídio de confinamento, conforme já referenciado, pelo facto de estarem a trabalhar em zonas fechadas e que o ar que lá prolifera é apenas o mecânico, o que faz inalar produtos tóxicos que causam graves prejuízos à saúde. Falam também da falta de uma boa alimentação, pelo que sugerem que se troque a clínica que faz assistência médica aos trabalhadores.
"Toda empresa, quando se trata de trabalhar em local de confinamento há um subsídio alocado para o funcionário, porque são zonas de risco.
Por último, alegam que o gerente financeiro da referida empresa chamado Orlando Fiado é o que mais tem infernizado a vida dos trabalhadores.
Este apurou que na manhã desta quinta-feira os trabalhadores foram convocados para uma reunião com a direcção da empresa, mas não houve consenso, mas que uma equipa da Inspecção Geral do Trabalho (IGT) esteve nas instalações da referida empresa no intuito de aferir as irregularidades denunciadas pelos trabalhadores.







