Comem e dormem juntos: Cães vadios dividem pátio do hospital do Capalanga com familiares dos doentes
Os familiares de pacientes, no hospital municipal de Viana, bairro Capalanga, que pernoitam no pátio da instituição, estão agastados com a circulação de cães vadios naquele local, durante o dia e ao longo da noite. Os doentes também estão aflitos pois não sabem por quanto tempo mais os animais devem estar aí.
Por: Cambundo Caholua
A presença de cães no perímetro hospitalar é algo incomum. Agora, imaginem eles a circularem entre pessoas a dormir, sem se saber, ao certo, o seu estado sanitário.
E porque ninguém impede a sua circulação, cada pessoa reage como pode: atirando pedras ou gritando para afugentá-los.
Eles até podem fugir, mas, minutos depois, retornam.
Os cães não vão àquele hospital para realizarem consultas, muito menos curativos, ecografia ou qualquer assistência médica e medicamentosa; eles elegeram aquela unidade hospitalar para se alimentarem de restos das refeições dos pacientes.
Segundo os familiares, no período diurno, a situação não é tão assustadora, mas a noite se torna assombrosa.
"É um autêntico filme de terror", resumem, referindo que os cães vêm de casas adjacentes.
"Pulam o muro e entram no interior do hospital, invadem a nossa alimentação e colocam em risco a nossa integridade física", salientou o senhor Dionísio.
O número de cães vadios é preocupante e quase cresce todos os dias. Varia entre 30 e 50, segundo os familiares dos doentes.
Dionísio disse que não consegue dormir, porque sente muito medo dos cães por não saber se foram vacinados ou não.
Um sentimento corroborado por Fátima, segundo a qual a falta de higiene no recinto do hospital tem atraído os cães.
"Às vezes, temos falhado, pois muitos familiares de doentes abandonam fraldas descartáveis e lixo de comida no chão e os cães quando sentem o cheiro aparecem", assumiu.
"Os cães vêm e ficam aqui, comem a comida que nós deitamos e, depois, dormem ao nosso lado, seguramente à espera da próxima refeição", disse uma anciã, familiar de um doente.
Este jornal constatou no hospital, durante a reportagem.
Em uma hora no local apareceram cerca de cinco cães. O NA MIRA DO CRIME conversou com a Directora do hospital municipal de Viana, Dra. Maria Emília Cativa, a fim de esclarecer o porquê dessa situação.
Sem gravar a entrevista, a responsável do hospital clarificou que nenhum familiar do doente está permitido a passar a noite no recinto do hospital, mas por sensibilidade da direcção, aceita-se que tal situação ocorra. Aliás, "é cultura do africano estar ao lado do seu doente".
Por outro lado, realçou que os cães não pertencem ao hospital, mas sim à comunidade.
"São animais provenientes do bairro e invadem o quintal e, devido aos maus cuidados das famílias de pacientes, que deixam restos de alimentação no recinto, isto faz com que os referidos animais se sintam atraídos", explicou.
Maria Cativa reiterou que não há necessidade dos familiares pernoitarem no recinto do hospital, porque a instituição garante as três refeições por dia aos doentes, tendo apelado às famílias para terem mais higiene no recinto e cuidar do bem público.







