Em Viana - População do bairro Boa-fé consome água (suja) de uma vala desde 2006
Os moradores do bairro Boa-fé, município de Viana estão aflitos por causa da falta de condições básicas para a sua sobrevivência, principalmente no Sector 03, fundado em 2006. Recados não faltam às autoridades municipais para minimizarem o sofrimento por que passam.
Por: Solange Figueira
De 2006 para cá, o número de habitantes cresceu, chegando mesmo aos 13 mil, maioritariamente a viverem em pobreza extrema. Carecem quase de tudo, até as coisas mais básicas.
"Faltam escolas, energia eléctrica, água potável", dizem os moradores que asseveram mesmo que por falta de água, a população está a consumir água suja retirada de uma vala.
Segundo o Coordenador do bairro para a área administrativa, Angelino Morais, o bairro tem vários problemas.
A população vive em "condições desumanas”. "Desde que o bairro existe, nós nunca tivemos água; as cisternas não chegam aqui porque não temos estradas; as vias de acesso estão degradadas por causas das ravinas. O transporte do precioso líquido a partir dos tanques é feito em bidões de 20 litros que chegam a custar 300 Kwanzas, um dinheiro que nem todos os têm”, afirma, acrescentando que a única solução tem sido consumir água suja, uma infalível causadora de várias doenças.
De acordo com os moradores, a secção municipal de saúde de Viana enviou uma delegação ao local para levar amostras da água que consomem, mas nunca mais regressaram.
O problema mantém-se e, dizem que o administrador municipal disse que só visitaria o Sector 03 se fosse convidado pelos moradores, reacção que apoquentou aqueles que confiavam na governação.
Antonica Jorge, moradora do bairro há vários anos, foi encontrada pela nossa equipa de reportagem no momento em que retirava água de uma vala para o consumo.
"Estou a tirar a água aqui desta vala porque o bairro inteiro não tem água potável e estamos nesta luta há vários anos”.
Maria Francisco, de 52 anos de idade, diz que vive no bairro desde que foi fundado e que nunca teve água potável.
"A água desta vala, cheia de produtos químicos, vem do rio seco; mais precisamente de uma fábrica dos chineses em Cacuaco", revelou.
Ela pede que a administração desempenhe o seu papel, que é de velar pela vida das populações.







