Entregue a estagiários: Hospital municipal da Eiva no Lubango sem medicamentos e ambulância
Moradores do bairro da Eiva, no município do Lubango, província da Huíla, estão agastados com as constantes mortes por falta de ambulância e medicamentos, no hospital municipal do referido bairro, que está entregue a ‘aprendizes’ de enfermagem.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com Zacarias Ganga, coordenador da associação da Comissão de Moradores do bairro da Eiva, para transladar os pacientes ao hospital central Dr. António Agostinho Neto é uma autêntica dor de cabeça, e chegam a usar moto de três rodas para tal.
“A falta de ambulância tem causado muitas mortes, uma vez que o hospital ascendeu à essa categoria há dois meses, mas sem condições para atendimento ao público”, observou.
"O hospital não tem nenhum médico, o número de enfermeiros é muito reduzido para atender a demanda dos pacientes, sem falar de medicamentos de primeira necessidade", apontou.
Zacarias disse ainda que, quando uma pessoa é atacada por uma enfermidade, a partir das 18 horas em diante, a situação torna-se muito difícil devido a ausência de táxis nesse período. Entretanto, revelou que recentemente uma criança caiu numa cacimba, foi socorrida no hospital do referido bairro, mas a enfermeira em serviço passou uma guia de transferência para o hospital central, criando uma grande dificuldade à família pela falta de um meio de transporte, "o que obrigou a família a se desdobrar para socorrer a criança o mais rápido possível".
Zacarias Ganga esclareceu que já foi apresentada a situação ao governador da Huíla, Nuno Mahapi.
Porém, "disse-nos que no que concerne à ambulância, é da responsabilidade do Ministério da Saúde e não do governo provincial da Huíla, o que deixou irritado os moradores", referiu.
Pedro Marcos, outro morador do bairro, clama às instâncias superiores no sentido de rever a situação, de maneiras a reduzir-se as mortes por falta de ambulância e medicamentos.
O mesmo cidadão fez ainda referencia da problemática do fornecimento de energia eléctrica e água potável, afirmando que esses serviços existem no bairro, mas carece de melhorias para colmatar o défice existente, bem como o policiamento de proximidade ao cidadão. O Na Mira do Crime contactou a diretora do hospital municipal da Eiva para aferir as reclamações apresentadas pelos moradores, mas a resposta foi que a mesma encontra-se incomodada.
Quanto aos enfermeiros encontrados no local, ninguém disse nada, alegando não estarem autorizados a falar à imprensa, para além da directora Carolina.
O Na Mira do Crime soube, entretanto, que o hospital municipal do bairro da Eiwa tem sido suportado por estudantes estagiários de diversas escolas de formação de enfermagem.







