Projecto "UNIDOS SOMOS MAIS FORTES" retira dezenas de jovens da delinquência em Viana
Para baixar o elevado índice de criminalidade, alguns jovens criaram há um ano um projecto, no bairro Caop, município de Viana, um projecto denominado "Unidos Somos Mais Fortes", que já conseguiu convencer perto de 40 jovens a abandonarem a malfeitoria.
Por: Cambundo Caholua
Este Jornal deslocou-se até ao bairro Caop, propriamente na rua Brasileira, município de Viana, onde conversou com o coordenador geral do projecto "Unidos Somos mais fortes" Hélbio Vaz, que já retirou perto de 40 jovens que se encontravam na delinquência, tendo sido enquadrados nas "placas de lotação de táxis e moto-táxis", a fim de saberem quais são os maiores benefícios do projecto.
De acordo com o coordenador-geral, o projecto foi implementado já há 1 ano e está a ser levado a cabo devido a má fama que o bairro Caop, sobretudo a rua Brasileira, tinha no que concerne a criminalidade. No entanto, juntou os amigos e criaram a ideia, a fim de ajudar aquela franja juvenil a desistir dos crimes, das drogas e de outras práticas não abonatórias.
"Antigamente, a Caop, aqui na rua Brasileira, era muito mal falada, mas hoje em dia as pessoas já andam à vontade, porque nós procuramos ocupar quase todos os jovens que roubavam e lutavam aqui no bairro", começou por descrever.
"Nós lideramos as placas de lotação de táxi e moto-táxis, nesses locais enquadramos todos aqueles jovens que aceitaram aderir o projecto, eles ficam aí a lotar e são remunerados no final do dia, levando qualquer coisa para as suas casas", disse, salienta do que são jovens que, no passado, eram muito perigosos, que andavam com armas de fogo, mas estão aí a recuperar.
"Alguns estão renitentes: não querem abandonar a criminalidade, mas estamos a sensibiliza-los de modo a aderirem o projecto", acrescentou, sublinhando que do número que já controlam contam-se os mais perigosos, que 'mexiam' mesmo com a 'estrutura' da Caop, em termos de assaltos e lutas. "Há outros ainda que denunciámos e foram parar na comarca de Viana", referiu.
"Estamos a trabalhar, temos uma parceria com a polícia, sendo que a esquadra da Boa-Fé, sobretudo na pessoa do comandante Obama e também a colaboração da esquadra do Capalanga, têm nos ajudados bastante", frisou.
Um outro ponto que preocupa o projecto, segundo aquele coordenador, é o quesito documento, já que muitos desses jovens não têm Bilhete de Identificação (BI), pelo que apelam a administração municipal de Viana para ajudar nesse particular. Por outro lado, apelam também aos empresários no intuito de os empregar.
"Aqui tem muitos miúdos sem Bilhete ou um outro documento que possa os identificar, por isso apelamos à administração municipal de Viana, para nos ajudar a tratar os documentos. E aos empresários do município pedimos que ajudem na parte do emprego ou então patrocinar cursos profissionais, porque os miúdos têm vontade só lhes falta oportunidade", concluiu.
Hélbio explicou ainda que desde o tempo que se criou o projecto, já ajudaram a polícia a recuperar 6 armas de fogo, dentre pistolas e AKM.
"Fazíamos uma vandalização aqui na Rua Brasileira, em que hoje em dia estamos aqui à busca do nosso emprego, do nosso pão, lutavamos e roubavamos, mas hoje estamos aqui a lotar carros nessa organização e cada um pode levara em casa 7 ou mesmo 10 mil kwanzas como recompensa, espero que muitos sigam esse nosso exemplo", apelou o jovem "Peralta", de 22 anos de idade, ex-membro do grupo de rixa "Os Revoltados".
Na mesma senda, o jovem "Dutatá", de 24 anos de idade que também pertencia aos "Revoltados" testemunhou a sua transformação graças ao projecto. "Sou um homem novo, hoje em dia tenho um emprego que, às vezes, eu consigo um bocado, por dia posso levar 6 a 8 mil Kwanzas em casa e ajudo a minha família, eu costumo a me sustentar assim: acordo muito cedo para chegar aqui na placa, recebo muito conselho, por isso desisti do crime", salientou.







