Negligência médica? - Cidadão de 42 anos morre na porta do centro de saúde do Km 30 por falta de atendimento médico
Um cidadão que em vida se chamou Domingos Paquete Agostinho, de 42 anos de idade, morreu no portão do Centro de Saúde do Km 30, em Viana, onde se encontrava à espera de atendimento médico. Nem mesmo os apelos sobre a gravidade do seu estado de saúde foram atendidos, segundo familiares. Direcção do centro desmente e diz que o paciente saiu a andar e agradeceu o apoio prestado.
Por: Solange Figueira
De acordo com os familiares e vizinhos, tudo aconteceu às 09 horas desta sexta-feira, quando a irmã mais velha do malogrado foi para o centro de saúde do Km 30 apresentar os exames médicos feitos um dia antes.
Assim que chegou ao centro de saúde, na companhia do seu irmão, este disse que estava com muita fraqueza no corpo e a sentir os pés pesados. Não tardou, acabou por falecer fora do centro de saúde ao lado do portão.
Lemba Agostinho, irmã do falecido, conta que o seu irmão estava doente há três dias a apresentava sintomas de dor de cabeça, tossia muito e escarrava sangue. "Ontem, fomos ao centro de saúde, mas como já era de noite, pediram-nos para fazer alguns exames, e fizemos um raio-x e outros exames, e hoje, de manhã, levei o meu irmão para apresentar os resultados; só que, quando chegamos ao centro, fomos abandalhados", revelou, acrescentando que ela pediu à enfermeira para observa - lo, mas ela não aceitou, mesmo ouvindo o meu irmão a dizer que as pernas dele estavam muito pesadas.
"Eu pedi muito para ser atendimento, mas as enfermeiras apenas passaram a receita e mandaram - nos ir para casa fazer a medicação. Só sai do quintal do hospital até ao portão, o meu irmão caiu e morreu", contou, sublinhando que clamou muito por socorro.
Alguns minutos depois, disse, apareceram algumas enfermeiras, olharam para ele abanaram a cabeça e chamaram os seguranças para levarem o corpo do meu irmão para dentro do hospital. "Não entendi o porque é que não aceitaram lhe tocar enquanto estava vivo, nós queremos justiça; o meu irmão precisava apenas de ser observado e atendido pelos enfermeiros e médicos", concluiu.
Josefa Paquete, mãe do malogrado, lamenta o sucedido e acredita que se tivesse um atendimento mais pontual e cuidadoso, o seu filho não iria a óbito. "Os meus netos avisaram-me que o pai estava com diarreia, febre e a tossir sangue," confirma, expondo ainda mais a sua tristeza, pois disse ter perdido um filho que a assegurava desde que o marido faleceu, há um ano.
Sebastião Paquete Agostinho, irmão da vítima, assegurou que ao tentarem remover o corpo, pediram para serem apoiados com a ambulância, mas disseram-lhes que a ambulância estava em casa da directora do centro.
"O meu irmão é a terceira pessoa a morrer neste centro, por negligência médica; eles estão acostumados a isso; queremos que todas as pessoas que trabalharam no turno de hoje sejam responsabilizadas", asseverou.
A nossa equipa de reportagem deslocou-se até ao Centro de Saúde do Km 30 e foi recebida por um enfermeiro que, primeiro, disse que não havia ninguém da direcção, mas depois de insistir, decidiu ligar para a doutora clínica, Palmira Jimi. Ela asseverou que não só esteve presente quando o senhor Domingos deu entrada no centro e sucumbiu, como também acompanhou outros passos.
"A família está a mentir; o paciente chegou ao nosso centro ontem, fizemos os exames e constatamos que o mesmo estava com uma infecção pulmonar, e, hoje, quando chegaram aqui, às 9 horas, ele foi atendido por uma técnica que lhe deu prioridade", acusou, sustentando que a colega recebeu-lhe, pesou e consultou-o, mas a irmã dele interveio e disse que só precisava de levar a medicação dele para casa. A chefe de enfermagem constatou, nos exames, que o senhor Domingos só tinha o pulmão esquerdo a funcionar, porque o direito já estava apagado, mas a irmã dele é que estava com pressa de ir para casa.
"O senhor saiu daqui a falar e ainda nos agradeceu. Não entendemos como ele caiu, e porquê é que a irmã não nos explicou", disse, reafirmando que ele não morreu na nossa porta, mas sim já distante do centro.
A directora desmentiu a informação de que ambulância se encontrava em sua casa. "A ambulância está avariada há duas semanas", rematou.







