Mesmo com 'muitos' ajustes directos: Angola necessita (ainda) de mais de 1.800 unidades sanitárias para atender a demanda da população por província
O país ganhou, desde 2017 até ao primeiro semestre do ano em curso, 189 unidades sanitárias. Deste número, 54 foram construídas no âmbito do Programa de Investimento Público (PIP) e 135 no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM). Embora muitas destas obras têm sido adjudicadas sem concurso público, ou de forma directas a algumas empresas, Angola necessita mais de 1.800 unidades para atender a demanda da população que não encontra atendimento eficaz nos centros primários de saúde.
Por: Telson Mateus
O secretário de Estado para a área hospitalar, Leonardo Inocêncio, revelou esta quarta-feira, em Luanda, que, no quadro de um levantamento feito pelo Ministério da Saúde (MINSA) e os governos provinciais, se concluiu que há necessidade de se construírem, ao longo deste quinquénio, 1.856 unidades sanitárias, para fazer face à população por província.
O governante, que intervinha na 22.ª sessão temática sob o tema “Infra-estruturas da saúde pública em Angola”, promovida pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), afirmou que, nos últimos sete anos, foram construídas nas 18 províncias do país, 189 unidades sanitárias.
"Desses hospitais, 54 foram construídos no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP) e 135 do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), sendo que actualmente o país dispõe de 3.344 unidades sanitárias".
Leonardo Inocêncio explicou que, uma das prioridades do sector consiste em reforçar a atenção primária, razão pela qual está a investir na recuperação da rede física vinculada ao Sistema Nacional de Saúde.
“Foram realizados não só investimentos na construção de novos hospitais, mas também na ampliação e conclusão de unidades de saúde, permitindo o aumento de 4.623 novas camas, perfazendo actualmente um total de 42.431 leitos em todo o país”, salientou.
Humanização dos serviços
Na ocasião, o secretário de Estado considerou a Ética e Humanização dos Serviços de Saúde como elementos fundamentais para promover a saúde e o bem-estar de todos os angolanos, respondendo às suas necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais, assim como o respeito, a empatia, a comunicação eficaz, o acolhimento e a dignidade no atendimento.
Neste sentido, sublinhou que, em 2018, com a aprovação do estatuto orgânico do Ministério da Saúde (Decreto Presidencial n.º 21/18 de 30 de Janeiro), foi criado o Gabinete de Ética e Humanização, encarregue pela promoção e implementação do programa de humanização da assistência e de cuidados de saúde.
Em relação à formação e qualificação da força de trabalho, informou que está a ser implementado um plano ambicioso de formação especializada de 38 mil profissionais em todas as carreiras, financiado com um empréstimo de 200 milhões de dólares do Banco Mundial.
Este projecto, adiantou, está alinhado ao processo de admissão de quadros para aumentar a capacidade resolutiva nos três níveis de atenção sanitária, com foco nos cuidados de saúde primários, visando, a médio prazo, a criação de equipas de saúde familiar para garantir a prestação de cuidados holísticos, ao longo do ciclo de vida de cada pessoa, e acelerar o alcance da Cobertura Universal de Saúde até 2030.







