Hospital Neves Bendinha: Uma referência no atendimento humanizado e ‘lufada de ar fresco’ para Luanda e arredores
O Hospital Geral Especializado Neves Bendinha, também conhecido por Hospital dos Queimados foi reinaugurado em Outubro de 2023, pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, após profundas obras de reabilitação e ampliação.
Por: Osvaldo de Nascimento
Com a reestruturação, a unidade hospitalar ganhou um acréscimo de 1.500 m2 de área útil e instalação total de 93 novas camas, três laboratórios, Unidade de Tratamento Intensivo e telemedicina.
Em Agosto de 2018, em função do seu estado avançado de degradação, o Presidente da República João Lourenço, durante uma visita efectuada ao hospital, tomou a decisão de reabilitar, ampliar e apetrechar as instalações, tendo orientado a dotação de recursos financeiros do bónus do petróleo para o efeito.

Na sexta-feira, 02, o Na Mira do Crime deslocou-se ao hospital para constatar o nível de atendimento dos profissionais de saúde, e aferir o grau de satisfação dos utentes.
Na entrada principal, notamos alguns familiares que pernoitam na parte externa do hospital, embora a unidade esteja devidamente organizada, sem que haja necessidade deste fenómeno, que é comum em quase todos os hospitais de Luanda.
Durante a nossa ronda no interior da unidade sanitária, notamos o alto nível de organização, higiene no espaço e, acima de tudo, um notável atendimento humanizado, começando pela pesagem e abertura de ficha logo na entrada, com um sistema digital de ponta, e um sorriso no rosto daqueles que atendem os que procuram saúde.
“Cheguei há 10 minutos, já pesei e recebi a ficha, estou a espera de ser chamada para ser atendida”, disse Ana Celeste, que carregava o bebé ao colo, que passou a noite com febres.
Teresa Sebastião, moradora do bairro Neves Bendinha, sentiu a tensão a subir durante a noite e esperou amanhecer para procurar os primeiros socorros no Neves Bendinha, “deram-me uma cadeira de rodas para poder me locomover, estou a ser bem atendida”, disse.
A organização na sala de espera do hospital indicava o profissionalismo dos homens da bata branca.

Em contacto mantido com o responsável do Gabinete de Comunicação Institucional da referida instituição, Alberto Luzembo, começou por explicar que o hospital tem a área dos “queimados” e “não queimados”.
Na área de queimados, disse, o atendimento diário em média varia de 10 a 15 doentes, sendo que às crianças são as mais acometidas.
“As crianças são aquelas que mais se queimam, e a maior parte das queimaduras acontecem ao domicílio, principalmente na cozinha. Enquanto às mães cozinham, os menores entram e acabam queimando com fogo, água ou leite, os líquidos superaquecidos são os agentes causadores de queimaduras que mais dão entrada aqui no hospital”, observou.
Geralmente, continuou, dos 15 doentes, acabam internando 3 a 5, em média, “e nestes números de internamentos, felizmente, temos controlado a taxa de mortalidade”.
Segundo o responsável, com a reinauguração do hospital, a taxa de mortalidade baixou consideravelmente, em função da qualidade dos serviços disponibilizados.

“Temos conseguido dar resposta àquilo que é a demanda, na área de cuidados primários, que é a área que atende as malárias, as doenças diarreicas agudas, as doenças respiratórias, como as gripes, que são muito frequentes nessa altura, temos atendido no banco de urgência em média, isto diariamente, perto de 90 pacientes, entre adultos e crianças”, calculou.
A malária ainda é a principal patologia tratada no Neves Bendinha, seguindo às doenças respiratórias agudas.
“Nessa fase, a malária e as doenças respiratórias lideram o número de patologias, que dão entrada na área de cuidados primários”, pontualizou.
Quanto aos internamentos, na área de cuidados primários, não há muito fluxo, “os doentes geralmente ficam aqui no máximo três dias, que é o tempo suficiente para poder controlar uma malária, em caso de doenças de malárias complicadas, acabamos por transferir para unidades de referência, porque o nosso hospital é especializado em tratar queimados, a área de cuidados primários temos para dar cobertura e resposta aos moradores que vivem aqui na circunscrição”.

Especialidades
O hospital atende as especialidades de fisioterapia, psicologia, assistência primária, onde estão os cuidados reprodutivos, que inclui a ginecologia, planeamento e a KTV, que é o atendimento de fármacos aos doentes seropositivos e portadores da hepatite B.
Perto de 350 profissionais atendem de forma geral os utentes que acorrem aquela unidade de saúde, que está apetrechada com camas e sistema de ventilação em todos os quartos e salas, uma morgue modelada com nove gavetas, onde se pode dar banho aos cadáveres, dois grupos de geradores, depósito de medicamentos devidamente apetrechado, farmácia interna que também possui um outro depósito de medicamentos, sala de fisioterapia, departamento de psicologia, laboratórios interno e externo, dois blocos operatórios, serviços de mastologia com aparelho de raio-x e dois ecógrafos para além de serviço de pediatria, cozinha e outros serviços essenciais para o normal serviço hospitalar.

Todos os dias registam-se algumas enchentes, mas, segundos os profissionais, por causa da qualidade do atendimento ou por ser o hospital mais próximo dos moradores do Kilamba Kiaxi e município de Luanda e arredores, é na segunda-feira onde o pico é notável.
“Acredito que a enchente seja por causa da qualidade dos serviços, porque a maior parte dos pacientes que recebemos aqui nem são do bairro Popular ou do Neves Bendinhas, saem do Zango, vêm de Cacuaco e de outras zonas de Luanda”, notou.
Farmácia apetrechada e fármacos cem por cento gratuitos
Notamos alguns pacientes a se dirigirem a farmácia do hospital, e seguimos para presenciar a entrega ou não de fármacos, a entrega pela metade ou totalidade.
Dos cinco pacientes que levaram as receitas, todos saíram com os fármacos em pequenas sacolas, na totalidade.
“Os pacientes dão entrada, são vistos, são atendidos nos bancos de urgência e depois vão à farmácia, onde levam os medicamentos de forma gratuita, volto a reiterar, que nenhum paciente aqui paga alguma coisa, não se paga nada, a partir do momento em que eles entram e a partir do momento que saem, seja queimados e não queimados, não se paga absolutamente nada”, garantiu o oficial de comunicação.

Queimados
“Os doentes queimados tão logo dão entrada, se for grave são internados, se não haver necessidade é visto de forma ambulatória, temos um serviço ambulatorial onde chegam os doentes que vêm fazer os curativos todos os dias”.
O hospital possui três ambulâncias e um autocarro que apoia o pessoal, assim como uma carrinha que apoia os serviços gerais.
Os pacientes internados têm três refeições ao dia, sendo matabicho, almoço e o jantar, “é claro que sabemos como é a nossa realidade, os familiares têm sempre aquela tendência de trazer comida de casa para poder dar aos pacientes, mas o hospital oferece toda essa alimentação, temos uma cozinha interna que também dá alimentação aos funcionários”, pontualizou.
Vale sublinhar que o hospital Neves Bendinha é a única unidade sanitária de referência no país que tem como missão oferecer serviços humanizados aos utentes com queimaduras.
Presidente aposta em mais hospitais
A construção de hospitais primários, secundário e terciários, um pouco por todo país, tem sido uma tónica na governação do Presidente da República, João Lourenço, que inaugurou nesta sexta-feira, 02, em Ondjiva, o Hospital Geral do Cunene denominado “General Simione Mucune".
Acompanhado da Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, o Presidente da República descerrou a placa do novo complexo hospitalar com capacidade para 200 camas.
Localizado no bairro Naipalala III, no município do kwanhama, a infra-estrutura ocupa uma extensão de 82.000 m² e uma área construída de 14.406,92m², foi dimensionado para atender a população da província do Cunene e municípios fronteiriços, reduzindo, deste modo, as evacuações para o país vizinho, a Namíbia.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou sexta-feira, em Ondjiva, que o novo Hospital Geral do Cunene “General Simione Mucune” vai ser assegurado por 1.135 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos trabalhadores do regime geral.

A governante, que falava durante o acto de inauguração do complexo hospitalar, afirmou que daquele número 104 são médicos, 522 enfermeiros, 347 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 130 técnicos de apoio hospitalar e 32 do regime geral.
Sílvia Lutucuta referiu, ainda, que o Hospital Geral do Cunene "General Simione Mucune” vai dar continuidade ao processo de especialização dos recursos humanos e melhorar o ambiente técnico e académico, para garantir um atendimento de alta qualidade.
Baptizado "General Simione Mucune”, filho da terra, a unidade hospitalar vai prestar serviços de hemodiálise, psiquiatria, assim como dispõe de blocos operatórios, com capacidade para cirurgias invasivas, antes inexistentes na província.
O complexo hospitalar dispõe, igualmente, de áreas de cuidados intensivos, desde o neonatal até aos serviços para adultos, com condições operatórias preparadas para receber casos de alta complexidade.
A ministra da Saúde salientou que, ao longo do último quinquénio, foram recrutados em todo o país 46.705 profissionais de saúde, com realce para médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico terapêutica, técnicos de apoio hospitalar, do regime geral e assistentes sociais, correspondendo a um incremento de 46 por cento da força de trabalho do sector.
Sílvia Lutucuta assegurou que está a decorrer um processo ambicioso de especialização de 38 mil profissionais de saúde, incluindo os da província do Cunene.
De igual modo disse estar também em curso a especialização médica em Enfermagem, cujas formações vão permitir melhorar os principais indicadores de saúde materno-infantil e nutricional.
"Importa reconhecer aqui os esforços do Executivo, entre 2017 e 2024, que passou a contar com 189 unidades sanitárias equipadas com novas tecnologias e ambiente acolhedor, o que proporciona a humanização dos serviços prestados aos doentes”, sublinhou.
Disse, igualmente, que 175 unidades sanitárias foram construídas no primeiro nível para garantir cada vez mais serviços de proximidade e reduzir as desigualdades de tratamento hospitalar.
A ministra da Saúde destacou, ainda, a presença no acto de inauguração do Hospital Geral do Cunene da equipa multidisciplinar namibiana, composta por 30 médicos e empresários de saúde, facto que disse demonstrar uma clara cooperação entre os dois países neste sector.
"Este hospital é de todos nós, vamos explorar juntos as suas potencialidades para prestar tratamento médico diferenciado à população na Região Sul de Angola, e nos países vizinhos, reduzindo em grande medida as evacuações para as unidades de nível central e para o exterior do país”, disse.
A província do Cunene tem sete hospitais municipais, 44 centros de saúde, um centro materno-infantil, 109 postos de saúde e, de acordo com a ministra, o que se pretende é expandir o processo para dar resposta às necessidades da população, pela particularidade de ser dispersa, de forma a garantir a todos o acesso a serviços de saúde de qualidade.
A infra-estrutura hospitalar custou aos cofres do Estado mais de 52 milhões de euros e substitui o antigo edifício, destruído por um incêndio de grandes proporções em Outubro de 2020.
C/JA







