Mercado da Cerâmica: Vendedeiras comercializam alimentos junto a uma vala de drenagem com lixo à mistura
Os munícipes de Cacuaco que acorrem ao mercado da Cerâmica para comprar alimentos mostram-se preocupados com a falta de saneamento básico que o espaço mercantil apresenta, sendo que os alimentos são vendidos junto a uma vala de drenagem, com lixo à mistura.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Trata-se de uma vala de drenagem que transporta águas residuais a partir dos municípios vizinhos de Cacuaco, cujos detritos sólidos que carrega ao longo do seu percurso concentram-se num ponto próximo do mercado, por falta de manutenção do canal de escoamento.
As hortaliças e produtos congelados são os principais alimentos expostos ao longo da vala.
Manuel, morador do bairro dos Imbondeiros, no referido município, disse ao Na Mira do Crime, que o estado do esgoto merece uma especial atenção de quem gere o espaço, pelo facto de constituir um atentado à saúde pública.
"Ao passar pelas proximidades, o cheiro nauseabundo proveniente da água misturada com o lixo e vermes provoca mau estar às pessoas. Infelizmente, encontram-se ai alimentos a serem vendidos, com o olhar silencioso das autoridades", disse.
O nosso entrevistado reconhece as consequências do consumo de produtos que estão em contacto com o lixo, pelo que; apela a quem de direito no sentido de demonstrar maior responsabilidades e respeito à vida humana.
"Por acaso, eu venho comprar aqui peixe por estar a ser vendido a um preço mais baixo, mas estou ciente das consequências do consumo dos alimentos vendidos em locais com sujidade", reconheceu, criticando, por outro lado, as autoridades que cobram imposto às vendedeiras que expõem produtos alimentares por cima do lixo.
As vendedeiras atribuem a responsabilidade de tratar os resíduos sólidos à administração, segundo a peixeira Ana.
"Não podemos fazer nada, fomos tiradas da rua principal e colocadas aqui, onde o cheiro nos incomoda e os bichos provenientes da água tentam subir nos nossos pés e nas banheiras do negócio", atestou.
Mano Kapa, que auxilia as senhoras na venda do peixe, disse que os compradores evitam ficar muito tempo no local, alegadamente por proporcionar mau estar.
Os clientes quando chegam para as compras, reclamam muito do cheiro que afugenta, igualmente, os fiscais.
Francisco Adão Carlos, especialista em Ciências de Enfermagem, chama à atenção sobre os perigos a que estão expostas as pessoas que labutam no mercado.
"O lixo é um factor de risco à saúde pública, pois o consumo de alimentos em contacto com o lixo, provoca doenças de fórum intestinal bastante graves, tais como: a cólera, desinteria, salmonelas (febre tifóide) ou até uma intoxicação alimentar, situações que podem levar à morte do paciente na falta de uma assistência adequada", explicou.







