Administração diz que não tem culpa – Miséria obriga menor de 12 anos a sustentar a família no Lubango
Um menor de 12 anos de idade, engraxador, que vive no bairro Comandante Cowboy, município do Lubango, província da Huila, sustenta a sua família devido a situação de miséria em que vivem e por falta de apoio de instituições locais. A administração local lavou as mãos, assegurando que não foi responsável por colocar a família na situação de vulnerabilidade.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
A mãe do rapaz, Maria Rita Baptista, confirmou ao Na Mira do Crime que, neste momento, enfrentam sérias dificuldades como a falta de alimentação e muito mais, explicando que o seu filho é que tem apoiado a casa, no final do dia, trazendo algum valor para comprar alimentação.
Sou trabalhadora doméstica, mas nem sempre as coisas dão certo, por isso é que, algumas vezes, fico sem fazer nada", disse, afirmando que este calvário começou após o falecimento do marido, em 2019.
Outro filho, de 21 anos de idade, está com tuberculose há um ano, sem apresentar melhorias, "o que nos preocupa".
Maria Rita Baptista clama ao governo local para que apoie a sua família com alguns bens, incluindo produtos alimentares e chapas de zinco para cobrir a parte em falta de sua casa, tendo em conta as chuvas que se aproximam.
Além disso, pede assistência médica e medicamentosa para que seu filho, que padece de tuberculose há um ano, possa curar-se.
O menor de 12 anos não está a estudar por falta de condições, uma vez que a situação de carência em casa, a falta de comida, não o motiva aos estudos.
Para piorar a situação, quando o menor é encontrado na rua com seus colegas a engraxar, os fiscais que supervisionam, levam consigo o material de trabalho. Segundo a progenitora, quando as crianças reclamam que estão engraxando porque passam por dificuldades, os agentes de fiscalização não demonstram um mínimo de compaixão ou mesmo compreensão.
O Na Mira do Crime constatou que muitos adolescentes engraxadores no Lubango, não estudam por falta de condições.
Contactámos a administração municipal do Lubango, para saber se dentro das suas possibilidades podem apoiar a referida família, e a resposta foi que "a administração não foi responsável por colocar a família na situação de vulnerabilidade", além de que, "a Administração municipal do Lubango não concederá nenhuma entrevista sobre o assunto".







