No Lubango: Familiares das vítimas do acidente de 23 de Agosto agastados com a demora na entrega dos testes de DNA
Familiares que perderam os seus entes queridos no acidente ocorrido no dia 23 de Agosto do ano em curso, na comuna do Toco, município do Lubango, província da Huíla, estão agastados com o atraso na entrega dos testes de DNA que serviriam para identificar os corpos carbonizados.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
O Na Mira do Crime ouviu familiares das vítimas que residem na comuna do Hóque e nos bairros Kwaua, Eiva e Chioco que lamentam a demora na entrega dos testes de DNA.
Ezequiel Alfredo, filho do falecido Paulo Alfredo, de 69 anos, disse que desde o acidente, o que a família esperava era ter os restos mortais do seu progenitor para realizar um funeral condigno.
Porém, destacou, devido às condições dos corpos que ficaram totalmente carbonizados, não há como identificá-los.
Ezequiel mencionou a promessa dos técnicos de medicina legal que trabalhariam para a identificação dos corpos de forma rápida.
“Foi realizada a primeira coleta do material genético dos parentes e garantiram-nos que o processo seria feito em um laboratório em Luanda, ligado à CIVICOP, e que duraria entre dez a quinze dias, mas até agora não recebemos nenhuma resposta, nem sabemos se a análise foi concluída ou não”, referiu Ezequiel Alfredo.
Inês Noloti, que perdeu a irmã Georgina Tchilombo, de 23 anos, manifesta igual preocupação com a situação, afirmando que o óbito está a decorrer silenciosamente, pois as famílias que vieram de outras províncias tiveram que regressar, já que não havia corpo presente para realizar um funeral condigno.
Acrescentou que os familiares voltarão assim que a medicina legal entregar os resultados dos testes de DNA, para que o funeral possa ser realizado.
“Neste momento queremos que tudo seja resolvido, para que possamos enterrar a nossa irmã de uma forma condigna, até aqui estamos com dúvida se a nossa irmã morreu ou não”, lamentou.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o médico legista da medicina legal, António Pascoal, prometeu pronunciar-se em breve.
O Na Mira do Crime sabe que às administrações dos referidos bairros, as autoridades tradicionais e a Administração municipal do Lubango, nunca visitaram as famílias afectadas, muito menos ofereceram apoio.
Recorde-se que, no dia 23 de Agosto deste ano, dez pessoas morreram carbonizadas, nas imediações da comuna do Toco, 25 quilómetros a Leste da cidade do Lubango, na Huíla, em consequência da colisão de uma viatura Toyota Hiace, que transportava passageiros, e um camião com mercadoria diversa.
Segundo o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros na província, o infortúnio ocorreu por volta das 10 horas, na Estrada Nacional 280, quando o Toyota Hiace, que fazia serviços de táxi, tentou uma ultrapassagem perigosa que causou o descontrolo de ambos os motoristas.
Após a colisão, o Toyota Hiace pegou fogo na área do motor.
Apesar dos primeiros socorros dos populares que se encontravam nas imediações do trágico acidente, não foi possível salvar ninguém.







