Nas barbas das autoridades: Material escolar para distribuição gratuita está a ser comercializado no mercado do João de Almeida no Lubango
Materiais escolares para distribuição gratuita do Ministério da Educação, proibidos de serem comercializados, estão aos montes a ser vendidos no mercado do João de Almeida, no município do Lubango, província da Huíla, à vista das autoridades, alegadamente por falta de fiscalização.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
Destes materiais, destaca-se os manuais de matemática, educação musical, educação manual e plástica, estudo do meio e Oshiwambo, que estão a ser vendidos no valor de 500 a 1000 kwanzas, constatou o Na Mira do Crime durante uma reportagem no local.
Ouvidos pela nossa equipa, alguns pais e encarregados de educação que pediram para não serem identificados, consideram que os vendedores de manuais didácticos nos mercados têm um convénio com certas pessoas ligadas aos armazéns de distribuição de material escolar.
Ernesto Mateus afirmou que, até o momento, os seus filhos ainda não receberam livros, alegando que os materiais escolares estão a ser desviados e comercializados nas praças, devido à falta de fiscalização.
"Tudo isso acontece à vista das autoridades, que nada fazem para reverter a situação, pois também estão envolvidas na mesma prática", acusou.
Alberto Martins afirma que o governo poderia responsabilizar todos aqueles que insistem na mesma prática, observando que o maior problema é que esse grupo opera em um circuito fechado, onde ninguém denuncia o comportamento desviante do próximo, fazendo jus ao chamado "cabrito come onde está amarrado".
"O Ministério da Educação deve ser mais pragmático em suas diretrizes, uma vez que nos manuais está escrito venda proibida. Essas orientações devem ser cumpridas e, em caso de haver infractores, eles devem ser severamente sancionados", referiu o cidadão.
O porta-voz da educação na Huíla, Benício Puna, esclareceu que o Gabinete Provincial da Educação e outras entidades afins estão a trabalhar no sentido de averiguar a chegada dos materiais escolares aos mercados informais, apesar dessa prática ser recorrente, as investigações continuam.
"Sabemos que os materiais do ensino primário são totalmente gratuitos. Pedimos aos pais e encarregados de educação que denunciem quando encontrarem materiais expressamente proibidos à venda nos mercados. Através da inspecção da educação, será possível implementar mecanismos para averiguar a veracidade dessas denúncias e, posteriormente, encaminhar o caso às autoridades competentes para as devidas medidas judiciais", orientou.
Benício Puna revelou que, neste momento, mais de sete mil manuais do ensino primário já foram entregues a todas as escolas da província da Huíla, embora o processo continua.







