08 meses sem salários - Trabalhadores da empresa que fabrica uniformes militares admitem manifestar-se no Palácio Presidencial
Continua o 'braço de ferro' entre a Empresa Fabril de Calçados e Uniformes (EFCU-EP), e seus funcionários que, a última quarta- feira, 09 do mês em curso, decidiram paralisar os trabalhos e manifestarem-se em frente às instalações daquela empresa afecta ao Ministério da Defesa, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, por causa de atrasos salariais. Mas agora já pensam ir mais longe, manifestando-se defronte o Palácio Presidencial.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
O Na Mira do Crime, esteve, mais uma vez no local, nesta segunda-feira, 14, e ouviu as declarações dos funcionários da empresa encarregue da produção de calçados e uniformes para as Forças Armadas Angolanas (FAA).
Os funcionários denunciam más condições laborais e 08 meses de atrasos salariais, o que faz com que enfrentem sérios problemas de ordem financeira.
"Fomos obrigados a contrair dívidas avultadas para sobreviver, e muitos de nós foram corridos das casas arrendadas, para além daqueles que perderam as esposas por não conseguirem garantir o sustento da família. As condições laborais na empresa são precárias, o que pode levar a acidentes de trabalho graves", revelam, acrescentando que até ao momento, não há explicações das causas dos desmaios que ocorreram em Outubro do ano passado, o que faz com que alguns continuem a viver as sequelas.
No local de serviço, disse Domingos, a alimentação não é adequada, apesar de estarem em contacto permanente com produtos químicos.
O colectivo de trabalhadores acusa a direcção da empresa, liderada pelo presidente do Conselho, Eng. Químico Têxtil Artur Augusto Luís Tombias, de gestão danosa que penaliza os funcionários.
"O Director diz que não há dinheiro porque o Ministério da Defesa contraiu dívidas avultadas à empresa, mas não estamos seguros com a informação porque, há duas semanas, o Ministério fez o levantamento de cinco mil pares de farda; o Ministro do Interior Eugénio Laborinho esteve de visita às nossas instalações, mas fomos impedidos de apresentar as reclamações", referem.
"Caso a situação continue, nos próximos dias, seremos obrigados a caminhar até ao Palácio e apresentar os problemas ao Presidente da República, pois, também é o Comandante-em- Chefe da Forças Armadas Angolanas", prometeram os manifestantes.
A nossa reportagem tentou ouvir a direcção da empresa, que prometeu pronunciar-se brevemente, tal como informou o senhor Aguinaldo, chefe do corpo de guarnição.







