UNITA 'oferece' à justiça deputado que perdeu viatura protocolar na 'Candonga'
O Grupo Parlamentar da UNITA (GPU) não quer interferir nas investigações e 'ofereceu' à justiça o seu deputado, Alberto José Catenda, eleito pelo círculo provincial do Cuanza Norte, que perdeu a viatura protocolar num negócio de rente-a-car.
Por: Lito Dias
Segundo uma nota de imprensa do GPU a que este Jornal teve acesso, na sequência de informações postas a circular sobre o desaparecimento da viatura protocolar atribuída ao Deputado do Grupo Parlamentar da UNITA, Alberto José Catenda, do Círculo Provincial Eleitoral do Cuanza Norte, por uso indevido da referida viatura (serviço de rent-a-car), desencadeou uma audição ao visado, na manhã desta quinta-feira, 17 de Outubro de 2024. "Apurados, preliminarmente, os factos relatados pelo Deputado em causa e face à gravidade da conduta, o Grupo Parlamentar da UNITA decidiu, à luz do seu Regulamento Interno, Código de Ética e Conduta e demais legislação aplicável, instaurar o competente processo disciplinar contra o referido Deputado, sem prejuízo de outro tipo de responsabilização por iniciativa da Assembleia Nacional", esclarece.
Além disso, instruiu o Deputado em causa a colocar-se à disposição dos órgãos competentes do Estado para o apuramento da verdade material dos factos.
"O Grupo Parlamentar da UNITA reafirma a sua determinação em defender a democracia, a justiça e a consolidação do Estado Democrático de Direito, pelo que não pactua com actos que lesam o bom nome, o património público e o normal funcionamento das instituições do Estado", sublinha.
De acordo com fontes deste Jornal, trata-se de um caso recorrente na Assembleia Nacional.
Vários deputados fazem o serviço de rente-a-car com o carro protocolar que é mais luxuoso, chegando a facturar, no mínimo, 80 mil Kwanzas diários. Só que, para o deputado Catenda, o azar bateu na porta de frente ao ponto de perder a viatura da Assembleia Nacional.
Consta que Hermenegildo Calenda, motorista parlamentar fazia serviço de táxi personalizado para empresas e pessoas que precisassem recolher entidades e empresários estrangeiros que viessem a Angola ou pretendessem viajar para o interior do país, em carros de luxo.
A actividade de táxi era feita mediante o pagamento diário de 80 mil kwanzas ao deputado, ficando sob responsabilidade do motorista o pagamento de combustível e manutenção da viatura.
Até aí tudo bem. Acontece que, neste dia, ele não tinha clientes, mas um amigo seu, também motorista de um outro deputado da UNITA, tinha um cliente, mas estava sem carro porque o deputado para quem trabalha tinha levado o seu.
Considerando a cooperação que existe entre os motoristas, Hermenegildo decidiu dar “uma falida”, expressão usada entre os taxistas ao cederem a viatura com que trabalham a um outro colega.
Entretanto, o colega que levou a viatura, diz ter sido assaltado e que os assaltantes levaram consigo a viatura para parte incerta e até hoje não localizou, simplesmente os documentos e a credencial cedida pela Assembleia Nacional foram encontrados na província da Lunda Norte.
O deputado atempadamente informou à Assembleia Nacional do sucedido, mas ocultou o facto de a viatura, à data do pretenso assalto, ter sido usada na prestação do serviço de rente-a-car.
O motorista e o seu comparsa, segundo informações postas a circular, apresentaram queixa às autoridades, mormente ao SIC, não só do suposto assalto, como também das ameaças que sofriam do deputado.
Com esta medida, o GPU tenta evitar que seja afectada directamente pela atitude indigna do seu colega, na lógica de que a minoria não pode prejudicar a maioria.







