No Belas: Agente da polícia que alvejou cidadão no peito em 2022 acusado de não prestar apoio
Um cidadão nacional que responde pelo nome António Vitorino, agente de 3° da Polícia Nacional, afecto ao Comando Municipal de Belas, está a ser acusado de alvejar a tiro e abandonar o cidadão António Luyoyo, de 27 anos de idade, morador do bairro 6, Distrito Urbano dos Mulenvos de Cima, sendo que o mesmo viveu com uma bala no corpo há dois anos sem beneficiar de ajuda do acusado.
Por: Kihunga Bessa
Diante dos microfones do jornal Na Mira do Crime, o lesado e comerciante de tissagem no mercado do Bita Tanque, localizado no município de Belas, conta que no dia 16 do mês de Junho do ano de 2022, por volta das 16 horas, após ter cumprido mais uma jornada laboral, foi chamado por uma cliente e, numa conversa descontraída com a cliente, explica António, de repente o agente da polícia à paisana e que se fazia transportar por uma viatura de marca Toyota, modelo Land Cruiser, empunhou uma arma do tipo pistola e efectuou um disparo à queima roupa contra um motoqueiro que supostamente o terá faltado com respeito.
Infelizmente, acabou por atingir a vítima no peito. "Logo que cai, ele pegou em mim e pôs -me na viatura até ao Hospital Geral de Luanda, mas ao longo da caminhada pediu o contacto de um dos meus familiares para informar-lhes sobre a ocorrência", disse.
Acrescentou ainda que depois de ser atingido, algumas pessoas dirigiram-se ao comando da polícia do Belas alertando sobre a situação.
Minutos depois, efectivos do SIC afecto àquele comando fizeram-se presentes naquela unidade hospitalar para saber apenas quem o tinha levado até aí.
"Depois deles terem visto o indivíduo através das câmaras de vigilância do hospital, determinaram que era um dos seus colegas e pediram ao meu irmão para que fosse até ao comando de Belas, onde se encontrava e, diante dele, o acusado assinou o termo de responsabilidade em assumir as despesas", informou.
Segundo o lesado, nos primeiros dias enquanto esteve no hospital, a esposa do polícia prestou assistência alimentar, enquanto o acusado ficou detido durante um período de uma semana no comando de Belas e, após a sua soltura, foi visitar duas vezes a vítima e fez entrega de uma quantia de 22 mil Kwanzas para comprar qualquer coisa.
O nosso entrevistado explica que depois do mesmo começar a recuperar, parou de prestar assistência, daí que, no mês de Julho, ainda do ano 2022, se dirigiu à Direcção da PGR do comando de Belas, onde lhe foi passado o processo n° 4432/22 MP-BL sob instrução do Doutor Nvula, que o orientou a levar as testemunhas.
"Porém, fui até ao mercado onde ocorreu o crime apelei as testemunhas e depois de serem ouvidas mandaram-me aguardar com a promessa de que ligariam para mim. Mas passaram cerca de duas semanas e ninguém ligou", disse, salientando que teve de regressar para lá para saber do processo, mas não houve êxito, o que fez com que o mesmo fosse a Direcção da Inspecção no Comando Provincial de Luanda, para onde o acusado foi chamado e ouvido.
"Depois, fui chamado a um sociólogo que me disse que o colega ficou chateado por lhe ter queixado ao SIC, por isso parou de prestar assistência, mas eu devia esperar pela chamada deles", informou.
De acordo a vítima, aguardou bastante e, posteriormente, deslocou-se até à Polícia Judiciária Militar (PJM), onde elaborou o documento, fez entrar o processo n° 581-22/022 sob instrução da Doutora Bela, com a esperança de que a situação seria resolvida, mas também não passou das voltas.
"A minha situação de saúde voltou a agravar e tive que ir ao hospital Maria Pia, mas não havia êxito. Mais tarde, troquei de hospital, fui para o hospital do Prenda, onde fiz todas as consultas com a bala no corpo até que, felizmente, na sexta-feira, 18, fui submetido a uma intervenção cirúrgica e retirou-se a bala", realçou.
A vítima disse que durante esses dois anos contratou muitas dívidas para se manter de pé. Já a sua família, por falta de condições financeiras, teve de mandá-la para sogra.
"Eu quero que o agente pague as dívidas contraídas", alertou.
António agradece a toda equipa de profissionais e especialistas do Hospital do Prenda que realizaram a cirurgia, sobretudo o Doutor "Orlando" que, incansavelmente, seguia a situação.
O jornal Na Mira do Crime contactou o porta-voz da polícia em Luanda, superintendente-chefe, Nestor Goubel, para saber mais sobre o acusado, mas este promete pronunciar-se em breve.







