Abandalhado pela Polícia: Adolescente ferido com disparo efectuado por um polícia teve a perna amputada (implora por uma prótese)
Denilson António, de 15 anos de idade, residente no bairro 12 de Julho, distrito urbano do Sambizanga, município de Luanda, foi atingido com disparo de arma de fogo, na região do pé direito, efectuado por um efectivo da polícia, afecto a 9ª Esquadra do Sambizanga.
Por: Cambuta Vieira
As constantes lutas de gangues continuam a tirar o sossego dos moradores, principalmente desde que foi desmantelada a “turma do apito”.
Populares ouvidos pelo Na Mira do Crime, afirmam que o bairro tornou-se a “casa da mãe Joana”, onde os meliantes bem identificados fazem o que bem entender.
Várias vezes esse jornal noticiou e denunciou os principais membros de grupos envolvidos em lutas de rixas e assaltos à mão armada, em que muitas vezes terminou em tragédia, levando já um saldo de 05 mortes.
No passado dia 28 de Agosto do ano em curso, por volta das 21 horas, os grupos “Da Leibo” e os “De fama”, onde fazem parte os bandidos “Tigude”, “Periquito”, “Betangó” e “Nelo”, perpetravam mas uma briga no referido bairro, na rua do Jiló, e a polícia foi accionada.
No local a polícia, os efectivos terão efectuado disparos, e um dos projécteis acabou por atingir o adolescente Denilson, que se encontrava no portão de sua casa.
Luiza André António Gaspar, avó da vítima, conta que o seu neto estava a regressar à casa, quando dois polícias, embriagados, começaram a disparar em direcção a população.
“O menino não se apercebeu quando levou o tiro, ele chamou o primo que o acompanhava que também foi baleado de raspão, e disse que lhe atiraram pedra", recordou.
“Quando vimos bem era tiro, e corria muito sangue, na mesma hora fomos até a clínica do Prenda, onde fomos bem recebidos, foi operado, no dia seguinte fomos transferido para o hospital Dom Alexandre Cardeal do Nascimento”, explicou.
Depois de quatro dias internados, conta a nossa entrevistada, foram informados que o sangue do menino não drenava para a parte baixo da perna.
“Estava mal, fizeram tudo, mas nada, no dia 13 de Setembro recebo a informação que a solução era amputar-lhe a perna, fiquei sem chão, o meu coração arrepiou, a mãe dele começou a chorar, fomos aconselhado a amputar o pé, porque corria o risco de perder a vida”, chorou.
“Eu pedi que nos dessem alta, o médico alertou que seriamos responsabilizados dos riscos que o menino ia correr, depois disso, o pé foi piorando até que voltamos ao hospital Maria Pia, onde foi amputado o pé, isso no dia 28 de Setembro, e nos deram alta no dia 04 de Outubro”, narrou.
Conta que, desde àquela data, foram feitos muitos custos, “despesas desde o táxi, alimentação, receita médica e o curativo enfim. Nós não soubemos o que fazer, o menino perdeu o ano lectivo, nós precisamos de ajuda, o agente que causou isso no meu neto está bem identificado, mas ninguém faz nada”, lamentou.
Luzia Gaspar contou ainda que o menor precisa de um psicólogo, porque às vezes fica chorar, não dorme, “ele chegou ao ponto de pedir a morte", deplorou.
Amante do futebol
Em conversa mantida com o Na Mira do Crime, Denilson António diz que era um menino independente, era treinador de futebol, ajudava a sua avó, “agora me sinto dependente, por favor, eu preciso de ajuda e uma prótese", pediu.
A avó conta que o efectivo que disparou contra o menino chama-se Dala, e está colocado na Nona esquadra.
“Sempre que vamos para lá saber do caso, eles dizem sempre que o processo não subiu, às vezes dizem para vir dia seguinte, no último sábado, 02, fomos para lá às 07 horas, e saímos às 16 horas, mas sem sucesso, é muito vai e vem, por favor, pedimos ao ministro da Justiça e do Interior que façam alguma coisa, o mal já está feito, pelo menos que assumem às despesas, nós gostamos mais de 800 mil kwanzas, agora é preciso prótese, queremos ajuda do polícia que fez isso", exigiram.
A equipa deste jornal contactou o Porta-voz da Polícia em Luanda, Superintendente-chefe, Nestor Goubel, e este prometeu pronunciar-se nos próximos dias.







