Perseguição contra jornalista: Procurador "quer" indemnização de 7 milhões de kwanzas por ser ouvido em contraditório
O Advogado Assistente do procurador de Viana, Fernando Machado, pede a condenação do Jornalista e director da portal Repórter Angola e Jornal Mabuidi, Jonas Pensador, a uma pena de três anos de prisão efectiva e uma indemnização milionária avaliada em 7 milhões de Kwanzas, por injúria e difamação, por uma matéria em que o mesmo profissional de comunicação sequer deu o tratamento.
A sentença do Jornalista Daniel Frederico "Jonas Pensador" será lida amanhã, sexta-feira 15, no Tribunal Provincial de Luanda, Dona Ana Joaquina.
O também correspondente da Rádio Francesa “RFI” está arrolado num processo, por ter solicitado o contraditório ao procurador, numa matéria em que dois órgãos deram tratamento, e o mesmo jornalista pretendia retomar e, por isso, dar oportunidade ao visado de se pronunciar sobre às acusações que pesavam sobre si, alegando que o mesmo teria recebido 7 milhões de Kwanzas, em troca da soltura de um empresário indiano, que supostamente fabricava sumos Cannah South, com produtos expirados.
Depois do encontro entre o jornalista e o procurador, na Esquadra do Zango Zero, o Jornalista conta que "ficou esclarecido com a versão do procurador, de que apenas teria cobrado caução de mais de 300 mil Kwanzas, e não os 7 milhões como circulava nas redes sociais", motivo que levou o profissional da comunicação social a não mais retomar a notícia, que em primeira mão estava veiculada no portal Imparcial Press e Club K.
Estranhamente, Daniel Frederico Pensador, conta que ficou surpreso com a notificação do Tribunal, de que seria julgado.
O caso remota o ano de 2022, quando viu pelas redes sociais uma denúncia que acusava o Procurador de Viana de ter solto um preso a troca de 7 milhões de Kz.
Segundo o Jornalista, a acusação de que o procurador Machado terá recebido 7 milhões de Kwanzas para libertar um detido da empresa de Sumos Caanah Sout, na esquadra do Zango 0, foi feita depois de o indiano ter sido detido pela DIIP, numa operação realizada pela ANIESA.
“Contactei o referido procurador, para verificação da mesma matéria, para lhe ouvir em contraditório, com intuito de retomar a mesma notícia, porque se tratava de um interesse público e dos leitores do meu portal Repórter Angola, e da Rádio France Internacional RFI, na qual faço parte”, aclarou.
No acto das alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação a uma pena correctiva, enquanto o Assistente do procurador pediu a condenação de 3 anos de prisão efectiva, retirada da carteira profissional e uma indemnização de 7 milhões de KZ, facto negado pelos Advogados de defesa do Jornalista, António Martins e Frederico, que representam o Escritório de Advogados Salvador Freire.
Este caso terá levado a suspensão do referido procurador, e lhe foi aberto um inquérito.
Em sede da justiça, nunca ficou provado que o Jornalista é trabalhador destes dois órgãos que publicaram a matéria.
Por: Belchior Resende







