Balbúrdia na casa de “Liberdade”: Funcionários da empresa pública de botas e calçados militar agastados com descontos e atrasos salariais
Os funcionários da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes - Empresa Pública (EFCU-EP), adstrita ao Ministério da Defesa e Veteranos da Pátria, em Luanda, liderados pelo ministro Ernesto dos Santos Liberdade, continuam a aguardar pela sensibilidade das autoridades angolanas ligadas as Forças Armadas Angolanas (FAA) no sentido de verem resolvido o diferendo que os opõe a direcção da empresa liderada por Artur Augusto Tumbinha, um coronel na reserva a quem recaiu a 'graça' de fazer vida cara a uma centena de chefes de família, ao ponto de deixa-los numa situação de indigência e mendicidade com um atraso salarial que chegou a atingir oito meses consecutivos.
Por: Mário Cunha
De acordo com um dos funcionários da EFCU-EP que, por temer represálias da direcção preferiu não ser identificado e que há mais de 15 anos trabalha como operador máquina, dos oito meses de salários em atraso apenas receberam no mês Outubro quatro salários.
"Num universo de mais de 1400 trabalhadores 80% têm crédito bancário, sendo que 20% conseguiram extrair um valor não tanto significativo. O restante, que esperavam arrecadar quase 80 mil kwanzas em cada salário dos quatro meses pago apenas conseguiram 40 mil kwanzas fruto dos descontos sofridos”, contaram.
O colectivo de trabalhadores fez saber que dias atrás mantiveram uma reunião com a Central Geral de Sindicatos Independentes e Livre de Angola (CGSILA), onde foi lhes informados que o sindicato enviou uma carta ao Presidente da República com vista a intervir nesse caso, uma vez que a referida empresa faz parte das empresas afectas aos órgãos centrais da Presidência da República.
"Tivemos a garantia da CGSILA que o Ministério da Defesa poderia resolver a questão dos salários em atraso esta semana, algo que não chegou a se efectivar", apontou.
De acordo com os grevistas, a empresa prefere responder com silêncio às reivindicações, demonstrando a insensibilidade de quem dirige essa empresa estratégica para evitar as importações de fardas e botas militares para a tropa.
Por seu turno, o operador de máquinas Alcides Sebastião, lamenta o procedimento da direcção da empresa para com os funcionários e reflecte dizendo "passados 49 anos desde a independência nacional, os angolanos já não podem estar a viver nessas condições de falta de salários, principalmente, tratando-se de uma empresa pública onde o Estado injecta dinheiro".
Para além do atraso salarial e dos descontos que os funcionários dizem ser injustos, denunciaram também a forma desumana como são tratados, os abusos e as ofensas morais de que são alvos por parte da entidade máxima da empresa, "que se assume ser intocável por ter boas relações no Palácio Presidencial".
Sobre esse assunto, uma funcionária com mais de 19 anos de casa questiona se, "por ser amigo do Presidente João Lourenço dá-lhe o direito de violar as normas estabelecidas nos contratos de trabalho e fazer vida cara aos trabalhadores?".
Entre as irregularidades apontadas estão a falta de subsídio de transporte, seguro de saúde e tantos os outros direitos a que os funcionários públicos em Angola têm direito.
"Sem esquecer também a má qualidade da alimentação e a falta de materiais de protecção e segurança para o pessoal", denunciam.
Madalena, recorda que há dois anos a direcção, de forma unilateral, expulsou alguns membros da comissão sindical por defenderem a qualidade da alimentação que os funcionários revendicavam, principalmente, ligada ao mau estado de conservação da alimentação.
Em relação aos descontos, por exemplo, Alcides Sebastião, não entende como é que a direcção procedeu os descontos, uma vez que ganha 80 mil kwanzas e encontrou apenas na conta bancária 160 mil, quando deveria ter encontrado 320 mil kwanzas, valores equivalentes a quatro meses de salários.
Quanto a segurança social, o colectivo de funcionários, denunciam não haver transparência na disposição das transferências, como se vê na folha salarial, por existir colegas que trabalham há 16 anos e simplesmente foram pagos três meses na caixa social.
O NA MIRA DO CRIME procurou de forma presencial ouvir a direcção da empresa, mas infelizmente, nos foi negada todas as formas de obter o contraditório ao representante em serviço naquela altura, o Chefe de Departamento Administrativo, identificado por Paulo Sebastião.
No dia seguinte, via telefónica este responsável disse: "Para ouvir a empresa é melhor tratar isso a nível institucional, fazendo um pedido formal à empresa ou ao Ministério da Defesa. Caso, for autorizado a falar poderei avançar com esse assunto, mas adianto que foram pagos quatro meses de salários", garantiu.







