Familiares aguardam por pena máxima: Arrancou o julgamento do militar "Hélio Vagada" que assassinou o Rapper "AKM" no Cazenga
O Tribunal Provincial de Luanda, "Palácio Dona Ana Joaquina", na Mutamba, deu início, nesta sexta-feira 15, na sala de audiências, 3ª secção, o julgamento do militar Damião da Silva dos Santos "Hélio Vagada", de 33 anos de idade, acusado de ter cometido o crime de homicídio qualificado, em que foi vítima o cidadão José Mateus "AKM", de 43 anos de idade.
Por: Cambundo Caholua
O Juiz Catraio José Lourenço Chimuma Paulo, que está a conduzir o julgamento.
Durante a audiência, foi ouvido o Ministério Público que leu o processo em que é acusado o militar e, posteriormente, tomando a palavra, o Juíz questionou ao réu se concordava ou aceitava com o que foi lido, tendo, no entanto, o arguido negado todas às acusações.
"Hélio Vagada", o suspeito, negou ser ele o autor do esfaqueamento que vitimou mortalmente o rapper, que era conhecido como "AKM", assim como também afirmou que no horário que ocorreu aquele infausto acontecimento, já não se encontrava na rua, mas sim no interior da sua residência a dormir.
Pela parte lesada, foram ouvidas no total seis testemunhas, dentre as quais, dois irmãos do infeliz e outros quatro membros da mesma família, donos do bar "Lussula", situado nos arredores onde ocorreu o crime, isto é na rua do Comércio, município do Cazenga.
Dos quatros membros da mesma família, existe a tia, que não estava presente, já a sua sobrinha e sobrinho, bem como o genro, estes presenciaram o facto e também prestaram depoimentos contra o acusado, os mesmos afirmaram que tudo começou quando compravam ovo fervido a uma zungueira.
De repente, surgiu o Hélio Vagada que ainda fez ameaças ao genro e, logo a seguir, retirou a faca usada pela senhora da zunga e desferiu contra o malogrado, os mesmos, depois disso, socorreram a vítima até ao hospital dos Cajueiros onde não resistiu, acabando por morrer.
Da parte do arguido, foi ouvida apenas uma testemunha, no caso a sua irmã, que, perante ao Juíz, saiu em defesa do seu irmão, negando ser ele o causador da morte de "AKM".
Por outro lado, a irmã do suspeito, ao depor, contrariou o depoimento em que o acusado afirmou que, às 13 horas, chegou de ir ao bar onde ocorreu o homicídio e a mesma alegou que em nenhum momento, naquele dia, Hélio Vagada saiu de casa, ou seja, o militar só se ausentou da residência por segurança, quando tomou conhecimento da morte do rapper.
Questionada pelo Juiz sobre o desenquadramento dos dois depoimentos, a mesma afirmou que o irmão "está confuso", no sentido do magistrado judicial confrontar as declarações da irmã com a do criminoso, fez uma acareação, voltando a perguntar ao arguido, tendo este confirmado que, às 13 horas do dia em que ocorreu o homicídio, esteve no local, a fim de comprar pacotinho, bebida espiritual.
A irmã, sendo outra vez questionada, reiterou que o irmão em nenhum momento saiu de casa, tendo reafirmado que o mesmo "está confuso".
Na sequência, devido à ausência de duas testemunhas da parte acusada, que não se fizeram presente ao Tribunal, o Juiz Catraio José Lourenço Chimuma Paulo suspendeu a sessão, tendo remarcado para o próximo dia 22 do mês e ano em curso.
O Na Mira do Crime ouviu a família do malogrado, no caso o irmão, Lourenço, triste com o momento que vivem, diz-se expectante e aguarda pela pena máxima.
"Queremos que se faça justiça, e que a sentença seja conforme à acusação do Ministério Público que pede pena máxima para o crime de homicídio qualificado, é apenas isso que queremos", apelou
Recorde-se que o facto ocorreu no passado dia 2 de Março do ano em curso, na rua do Comércio, Cazenga, quando a vítima foi surpreendido pelo homicida, e foi esfaqueado na região do peito, tendo sido socorrido até ao hospital dos Cajueiros, onde minutos depois acabou por morrer.







