Funcionários da empresa pública de botas e calçados militares agastados com descontos salariais injustificáveis e pagos a gotas
Os funcionários da empresa pública frabril de calçados e uniformes militares (EFCU-EP), ligada ao Ministério da Defesa Nacional (MDN), localizada no município do Cazenga, Distrito Urbano 11 de Novembro, em Luanda, manifestam-se defronte a empresa contra salários injustos e falam também da existência de mãos invisíveis nos pagamentos na caixa de segurança social.
Por: Mário Cunha
De acordo com um dos operários da EFCU-EP, Afonso Sebastião, trabalhador há mais de 15 anos, a empresa, deve oito salários que deveriam ser pagos até Outubro, altura em que foram disponibilizados apenas quatro com descontos altos e injustificáveis. Dos 100% dos trabalhadores existentes, 80 % apesar de não terem créditos bancários, sofreram descontos. Os outros 20% que não vivem de créditos nas contas salário também não escaparam dos descontos na ordem dos 60% dos seus salários.
"Há quem recebe 82 mil por mês de salário, mas dos quatro meses pagos receberam 40 mil kwanzas correspondente a cada mês. E mais: há duas semanas foi-nos prometido que receberíamos os quatros meses em falta e, até agora, não recebemos", disse o operário.
O colectivo de trabalhadores fez saber que dias atrás, mantiveram uma reunião com a Central Geral de Sindicatos Independentes e Livre de Angola (CGSILA), onde lhes foi informado que enviaram uma carta ao Presidente da República e depois de uma semana a CGSILA confirmou que o Ministério da Defesa Nacional pagaria na primeira semana do mês de Novembro todo valor restante dos trabalhadores, facto que não chegou a acontecer.
"A empresa não se pronuncia e nem diz nada a respeito do salário," disse um representante dos funcionários.
Quem também não entende o procedimento dos pagamentos é o operador de máquinas, Alcides Sebastião, uma vez que revelou ganhar 80 mil kwanzas e apenas encontrou na sua conta bancária 160 mil, quando esperava encontrar 320 mil kwanzas, correspondentes a quatro meses pagos no mês de Outubro.
Quanto à segurança social, o colectivo de funcionários grevistas denuncia não existir transparência, como se vê nas folhas salariais de operadores que trabalham há 16 anos na empresa, onde se afere o pagamento de apenas três meses.
Por seu turno, o operador de máquinas Alcides Sebastião lamenta o procedimento da empresa com os funcionários e reflecte dizendo que "o país já não está em altura de estar onde está", antevendo repercussões de índole política face ao descontentamento.
Para além do atraso salarial e descontos injustos, denunciaram também desumanização e ultraje por parte da entidade máxima da empresa, que dizem ser "intocável".
Por outro lado, a operadora de máquinas de costura, funcionária há 13 anos, Madalena Lelu, disse não recebe subsídios de transporte e seguro de saúde, como também, aponta a má qualidade da alimentação que é dada aos almoços.
O jornal Na Mira do Crime procurou de forma presencial ouvir a direcção da empresa, mas foi-lhe negado o direito de buscar o contraditório. Insistiu por telefone, tentando chegar à fala com o Chefe de Departamento Administrativo da EFCU-EP, Paulo Sebastião. "Eu não lhe passo o contraditório por essa via, convém tratar isso a nível institucional, fazendo um pedido formal dirigido à empresa ou ao Ministério da Defesa. Caso eu for autorizado a falar poderei avançar com esse assunto, mas adianto que foram pagos quatro salários", reagiu







