Censo 2024 - Agentes de campo no Distrito da Maianga exigem pagamentos de seus ordenados
O censo geral da população e habitação em Angola começou no dia 19 Setembro do ano em curso. No entanto, problemas de ordem organizacional e financeira têm ensombrado o processo, tal como sucedeu com os agentes de campo no Distrito da Maianga que têm dinheiro por receber das autoridades.
Por: Solange Figueira
Trata-se do segundo censo de Angola desde a independência, em 1975, e o primeiro a empregar a colecta digital de dados, utilizando a tecnologia de entrevista pessoal assistida por computador.
Os agentes do Distrito da Maianga, por exemplo, passam dificuldades desde o processo da formação em que já não tinham subsídios para alimentação. Terminada a sua missão, ao cabo de três meses de trabalho, deparam -se com a falta de salários de que têm direito.
De acordo com Francisco dos Santos, um dos técnicos e agente do censo do Distrito da Maianga, o processo censitário começou com a formação, mas passados três meses, não conhecem a cor do seu dinheiro determinado em mútuo acordo com o Executivo.
"Nós, os AC's, somos a última cascata e, por sinal, a mais essencial deste processo porque somos nós que recolhemos os dados entregamos ao INE, mesmo correndo riscos de agressão, faltas de respeito e muito mais", sublinhou, lembrando que durante o processo tem acontecido coisas muito estranhas e surpreendentes que não têm nenhuma explicação.
"O primeiro contrato era de 160 mil Kwanzas para supervisores e 140 mil para recenseadores, mais a merenda de 45 mil e 1.500 por dia", explicou.
No entanto, ficaram surpreendidos quando o Instituto Nacional de Estatística (INE), de forma unilateral, estipulou apenas 90 mil Kwanzas, e sem merenda. "A pergunta que não se quer calar é: como é que o INE acha que nós nos deslocamos de casa para as nossas tarefas sem nos alimentarmos durante 30 dias?", questionou.
Refere que, nos últimos dias, algumas pessoas já estão a ser pagas; uns 140 mil, outros 185 mil sem saberem o que é que lhes está a ser pago, condenando o facto do INE ser pouco comunicativo nesse quesito.
"Exigimos também que paguem as nossas remunerações de 140 mil mais 90 mil, o que totaliza 230 mil e a merenda para quem não recebeu. Temos famílias para sustentar, deixarmos os nossos a fazeres para abraçar este processo, mas somos maltratados", disse, mostrando-se arrependido.
Vladimir Bala, agente recenseador disse que nos contratos que assinaram existe uma tabela, mas, na prática, o INE está a aplicar outra tabela, que ilustra cortes significativos.
De lembrar que o censo demográfico tem por objectivo contar os habitantes do território nacional, identificar suas características revelar como vivem, produzindo informações imprescindíveis para a definição de políticas públicas e a tomada de decisões. Contou com 90 mil técnicos espalhados por toda Angola.







