"Kwenda" não anda na Huíla: Fome continua a matar no município dos Gambos
Algumas famílias estão a morrer em consequência da fome, sob o olhar indiferente das autoridades que nada fazem para ajudar, no município dos Gambos, província da Huíla, onde o propalado "projecto Kwenda" é ainda uma miragem
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com alguns populares do município dos Gambos ouvidos pelo Na Mira do Crime, devido à falta de alimentação muitos estão a recorrer às matas em busca de frutos silvestres como forma de saciar a fome.
Essa situação ocorre num momento em que os preços da cesta básica aumentam, enquanto, segundo eles, os governantes que deveriam tratar o povo como soberano, permanecem inertes.
Os populares afirmam que estão a consumir raízes de uma árvore chamada Mutunda, cujas raízes são trituradas até adquirirem uma textura semelhante à de fuba, que é então cozida para se alimentarem.
Contudo, esse tipo de alimento tem causado diversas doenças, levando até mesmo à morte. Os cidadãos declaram que, até ao momento, não receberam nenhum tipo de apoio governamental e que, por isso, consideram essas raízes uma alternativa para a sobrevivência.
Criticam igualmente a administração local do Estado, que promete apoiar as famílias afectadas, mas essas promessas nunca são cumpridas.
Revelam ainda que, há um ano, diversas famílias foram registadas no âmbito do programa Kwenda, mas até agora não receberam nenhum benefício.
Actualmente, o preço da fuba de milho está a ser comercializada no valor de 500 Kwanzas por quilograma, enquanto o arroz custa 1.200 Kwanzas, tornando a situação extremamente difícil de enfrentar.
Sem oferecer garantias concretas às famílias em situação de vulnerabilidade, o administrador municipal dos Gambos, Francisco Barros, afirmou que a região ainda não atingiu uma linha vermelha.
O dirigente explicou que há maior preocupação com algumas zonas específicas, como Chitongotongo, Chipeio e Nacocolo, onde, segundo o gestor público, com o apoio do governo provincial, estão sendo realizadas diligências para mitigar a situação.
Francisco Barros detalhou que mais de 15 mil famílias estão afectadas pela fome no município dos Gambos, ainda que de forma indirecta, destacando que a população local pratica agro-pecuária e, frequentemente, desloca-se em busca de melhores condições para o gado e para as próprias famílias.
Essa situação tem impacto directo no processo de socialização, especialmente no sector da educação, pois muitas crianças abandonam as escolas devido a essas deslocações.







