Falta de sigilo profissional: Actuação das forças de defesa e segurança quase custa a vida do Presidente da Comissão de Moradores no Belo Monte
O cadeirante Cunha Miranda, Presidente da Comissão de Moradores e Coordenador do Comité de Acção Política (CAP) do MPLA da zona Havemos de Voltar, no bairro Belo Monte, Município dos Mulenvos, foi vítima de tentativa de homicídio no interior da sua residência na noite de sexta-feira, 03, do corrente mês por parte de marginais após um deles ter sido solto dias após ter sido denunciado pela vítima.
Por: Kihunga Bessa
Em declarações exclusivas ao Jornal Na Mira do Crime, a vítima explicou que no dia 02 do mês em curso o marginal, identificado apenas por "Youri" foi detido por efectivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) do destacamento do "Cambua" em função de um crime de homicídio que terá sido praticado por um cidadão cuja vítima era, por sinal, seu amigo.
Em gesto de retaliação, os amigos terão vandalizado a resistência do suposto autor do crime e, posteriormente, encaminharam o acusado à esquadra do Ângelo.
Para o espanto de tudo e todos, o acusado foi solto no dia seguinte por um efetivo do SIC, identificado apenas, por "Victor" que supostamente terá informado ao meliante sobre o autor da denúncia.
"No dia seguinte, nos apercebemos que o meliante tinha sido solto
e, por volta das 21 horas, o mesmo na companhia de dois comparsas, nomeadamente, o Muzengó e um outro que o nome não me vem à mente, rotulados pela população como altamente perigosos e líderes do grupo os "Viúva Negra", devidamente conhecidos pela Polícia, invadiram a minha residência", denunciou.
Segundo fez saber, os dois marginais ficaram no quintal ao passo que Muzengó introduziu-se no interior da residência e começou logo a agredi-lo até fracturar o dedo anelar do braço direito, sem se importar com a sua condição de deficiente e cadeirante.
"Enquanto me agredia, ele dizia ter sido informado pelo agente do SIC que soltou o seu amigo "Yuri", que eu era o responsável da denúncia que culminou com a detenção do seu amigo. Dali o motivo da represália", denunciou, acrescentando que neste acto quase perdeu a vida.
"O objectivo deles era mesmo me matar, porque eles não se importarem com as coisas de valor que estavam em casa. O pior só não aconteceu porque os meus filhos intervieram", garantiu, sublinhando que, ainda assim, insatisfeitos os marginais proferiram algumas ameaças de morte", informou.
Realçou que depois da acção dos marginais, por sinal, vizinhos seus, buscou auxílio das autoridades policiais ligando, inclusive ao Comandante daquela esquadra para informar o ocorrido, mas sem sucesso porque nenhum agente se dignou averiguar o caso.
"Como era noite e não consigo me locomover por falta de meio, dormi mesmo assim com muitas dores e, no dia seguinte, fui ao hospital municipal de Cacuaco, onde foi determinada a fractura do dedo. Após ter sido atendido dirigi-me à esquadra policial para participar o caso", disse, Informando que na segunda-feira, 06, foi aberto um processo, mas que os coordenadores do bairro temem pelas vidas enquanto os marginais se encontram em liberdade.
Por este facto, clamam por protecção da parte das instâncias superiores, quer seja a nível do Ministério do Interior ou de outros órgãos castrense.
"Eles são bandidos actuam com muitos outros marginais (denominados por flutuantes) porque saem de diversos pontos a convite dos seus comparsas. Com a informação que receberam do SIC não sabemos o que devem estar a tramar contra nós" refere.
Neste sentido, mostrou-se inseguro por não ter outro sitio para ir e rogou por ajuda de quem de direito, em lágrimas.
Enquanto a equipa de reportagem ouvia a vítima, foi possível observar o marginal "Yuri" a deambular no bairro como se nada tivesse acontecido. Foi igualmente possível perceber que a zona é muito melindrosa e para actuação das suas acções delituosas, os grupos de marginais têm como ponto de concentração quintalões baldios, denominados quintalão do Banco BIC e das FAA onde são arquitectados os crimes.
Importa referir que um dos meliantes encontra-se foragido, mas o pai em solidariedade ao cadeirante promete entregar o filho denunciando o seu paradeiro.
Este jornal, contactou o comandante da esquadra do Ângelo, Guilherme Calunga, que uma vez mais volta a falhar, porque os marginais estão devidamente identificados e localizados.
Sobre o assunto, o Oficial da Polícia Nacional informou que há um processo aberto e está a se fazer diligência com agentes no encalço dos marginais.
"Dominamos a situação e, além de ser coordenador do bairro, também é uma pessoa amiga", tranquilizou.







