Bairro 11 de Novembro encontra-se nas escuras há mais de três meses
O bairro 11 de Novembro, distrito urbano da Cidade Universitária, no Município de Talatona, está desde o mês de Outubro às escuras devido a falta de energia eléctrica. A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) diz que não se responsabiliza por nada.
Por: Cambuta Vieira
O grito de socorro vem dos moradores da zona acima referida e dizem que a falta de energia eléctrica tem prejudicado a vida dos cidadãos daquela zona. "Devido a falta de energia, o índice de criminalidade aumentou e não conseguimos conservar os produtos que adquirimos com muito sacrifício. A falta de energia está a dificultar a vida das donas de casa", garantiram.
Benilde Cambuite, moradora da zona há cinco anos, referiu que estão sem energia desde o mês de Outubro de 2024. "A empresa T.D.A.A.L e Filhos LDA, não está a honrar com os seus compromissos. Todos os anos quando chega o mês de Outubro, a ENDE efectua cortes de energia na zona e acabamos por passar a quadra festiva às escuras, tudo isso porque a empresa não paga nada ao Estado", denunciou a cidadã.
Em 2020, quando começaram os cortes, segundo apurou este jornal, a empresa escreveu para ENDE a fim de receber o Posto de Transformação (PT), mas sem sucesso, tudo porque a dívida rondava os 17 milhões de Kwanzas. Os responsáveis alegaram que primeiro deveriam pagar a dívida e só depois o referido PT passaria para alçada da ENDE.
"O tempo passou e as coisas pioraram. Hoje em dia fala-se de uma dívida a rondar os 78 milhões de Kwanzas, situação que leva a empresa a nos prejudicar bastante. Quando vamos a ENDE reclamar eles dizem que esse problema não diz respeito a empresa pública e pede para os moradores se virarem", elucidaram, garantindo que os cortes de energia têm sido frequentes.
Os moradores afirmam que o índice de criminalidade aumentou bastante. As crianças só ficam na rua por falta de luz eléctrica e a vida conjugal de muitos casais está um caos.
"Já escrevemos para várias entidades, até mesmo para o Ministro da Energia e Aguas, mas sem sucesso", sustentaram.
Rosália Gina Celestina, residente no bairro desde 2014, lamenta o facto de ter que comprar alimentos todos dias.
"Não conseguimos fazer compras para pôr na arca. Estamos a sofrer muito. A ENDE prometeu ligar a luz no dia 11 de Novembro, mas até hoje não fizeram nada. Eles privatizaram essa zona para fazer negócio. Nós pagamos de 7 a 21 mil kwanzas mensal, mas quando vêm para cortar não avisam os moradores e, ainda por cima, pagas multa de cinco mil kwanzas para voltarem a ligar a energia", sublinham.
Segundo dizem, o condomínio Vereda das Flores, localizado há 10 metros de distância do bairro, tem energia eléctrica, "mas nós aqui no bairro não temos".
A equipa deste jornal deslocou-se até a direcção da empresa T.D.A.A.L e Filhos LDA, mas as portas estavam todas encerradas, sem nenhum funcionário para atender a população.
Informações colhidas no local, dão conta que o proprietário encontra-se foragido, em Portugal, como se não houvesse nada.
Por via telefone, procuramos ouvir o porta-voz da ENDE, Engenheiro Lauro Fortunato que atirou a culpa aos moradores dizendo que têm contrato com o dono do PT privado e não com a ENDE.
"Eles quando assinaram o contrato não nos convidaram, até porque não têm que participar, é uma actividade não regulamentada. A ENDE nunca autorizou a ligação de um PT privado para fins comerciais, esses PTs quando são licenciados é para o domínio privado", apontou.
O que fomos constatando, acrescenta, é que os PTs têm servido para fins comerciais, mas esse é um assunto que já está com os dias contados.
"Antes tínhamos cerca de 240 PTs que comercializavam energia. Hoje temos menos de 100 e, neste momento, 12 destes já passaram para a gestão da ENDE e 15 estão em negociações".
Em relação ao caso do bairro 11 de Novembro, o responsável disse que o proprietário do PT contraiu uma dívida milionária situação que levou a ENDE a suspender o fornecimento de energia eléctrica.
"No entanto, nós como entidade de bem, já chamamos o proprietário, mas este demonstra incapacidade para saldar a dívida. Neste sentido, estamos a convidar o proprietário ou representante legal e os moradores para fazermos um acordo mútuo, junto com o conselho de administração da ENDE", apelou.
"A ENDE tem muita boa vontade em tratar os casos que são da nossa jurisdição, mas apelamos o bom censo das populações e dos proprietários que honram com os compromissos, uma vez que eles têm arrecadado valores das cobranças do consumo aos moradores".







