Procura-se polícia em Calumbo: Moradores do bairro Tio Mingo “Zango 3” tencionam queimar marginais
Os moradores do bairro Tio Mingo, no Zango 3, estão a reclamar do alto índice de criminalidade que assola a zona e apontam a falta de uma esquadra policial naquela localidade que agora passou à esfera da província do Icolo e Bengo, como o principal motivo dos "amigos do alheio" terem tomado de assalto o bairro, pois dependem da esquadra do bairro Capapinha localizada a uma distância em que os agentes não conseguem ouvir o grito de socorro dos cidadãos aflitos por uma intervenção policial.
Por: Solange Figueira
Na denúncia dos moradores recepcionada pelo Na Mira do Crime, estes contam que os marginais têm passe livre para roubar e fazer lutas de grupos, sendo que os autores desses actos criminais no bairro estão devidamente identificados incluindo os seus grupos, nomeadamente, "os UGD" "os Choras", "os Lourenço" e os "Pisa", que sem dó nem piedade cometem crimes a qualquer hora do dia com objectos contundentes, qual deles o mais mortífero, como catanas, facas, blocos, machados e pedras.
O bairro Tio Mingo localizado na 1ª paragem do zango 3, lado B, depois do restaurante "Espaço K", é um bairro que existe há mais de 20 anos.
Conhecido pelas quintas e lavras que abundavam a zona antes de se tornar num bairro habitado, tem vários problemas sociais como a falta de água potável, energia eléctrica pública, disputa e invasão de terrenos.
Dona Aninha conta que na passada segunda-feira, 13, o seu filho de 20 anos foi agredido por marginais de um desses grupos.
"O meu filho dorme no quarto de chapa que temos no quintal e, na segunda-feira, por volta das 22 horas, os gatunos sem nenhum motivo agrediram-no e vandalizaram a casa de chapa. Participamos o caso à Polícia, mas até agora não fizeram nada. Estamos fartos de ter polícias que não protegem os cidadãos. Por isso, quando agarrarmos um dos marginais vamos queimá-lo", disse, visivelmente enfurecida com a situação.
Segundo Albino António, de 20 anos, os jovens que o agrediram estavam sob efeito de drogas.
"Eles me encontram a dormir, me bateram muito e destruíram o meu quarto de chapa", explicou, denunciando mais adiante que no bairro tem muita delinquência.
"Todos os dias há casos de assalto e lutas de grupos. Os "UGD" é um grupo cujos integrantes vivem na floresta, mas vêm sempre cometer as suas acções criminosas aqui. Precisamos de uma esquadra no bairro urgentemente", sublinhou.
Duas pessoas assassinadas e a Comissão de Moradores saqueada
Beto de Almeida, adjunto do coordenador do bairro, disse que em Novembro de 2024 os marginais assassinaram dois jovens inocentes.
"O bairro Tio Mingo está dentro do perímetro do bairro Kikuxi 2. Por ser uma zona cinzenta e quase desabitada os meliantes aproveitam esta vulnerabilidade para assaltarem e fazerem lutas de grupos, as chamadas rixas. No ano passado, dois jovens inocentes foram mortos durante essas lutas e até a comissão do bairro foi vandalizada pelos marginais", denunciou, referindo que naquele órgão foram roubados chapas de lusalite, janelas, portas e alpendres.
"Fomos fazer a participação do caso na esquadra do Capapinha, mas ninguém foi detido ou investigado sobre o que aconteceu. Tivemos que comprar tudo de novo", realçou.
Domingos Luís, Coordenador do bairro conta que apenas uma escola primária e comparticipada atende a população e um dos grandes problemas que o bairro enfrenta é mesmo a criminalidade e a invasão de terrenos.
"O bairro Tio Mingo, tem o meu nome porque eu sou o primeiro morador a viver aqui. Antes eram apenas quintas e lavras, mas ao longo do tempo evoluiu como um bairro habitado. Os meliantes que actuam aqui saem de outros bairros, como dos Cajueiros e da Floresta", denunciou, acrescentando que no bairro falta quase tudo.
"Não temos empresas, fabricas, esquadras, nem áreas de lazer, para não falar de livrarias, escolas do ensino médio ou mesmo universidade. Os jovens dedicam-se nas drogas e roubos. O povo está revoltado devido a delinquência extrema que assola o bairro, porque a partir das 20 horas já não se pode circular. Apelamos as autoridades para tomarem conta dessa situação caso contrário nós vamos matar os marginais e fazer justiça com as nossas mãos".
Importa referir que no momento que fazíamos essa reportagem, um grupo de marginais munidos com armas brancas, catanas, blocos e facas, tentaram nos agredir, mas por sorte fomos protegidos pelos moradores que entraram em confronto com eles.
A nossa equipa foi obrigada a ligar para o comandante da esquadra do Capapinha, Inspector Chefe Emiliano César Pombal Paulo, que de imediato, mandou quatro agentes em duas motorizadas.
Mas devido a morosidade os agentes já não encontraram os marginais.
Questionado sobre as denúncias dos moradores, entre as quais, a acusação de soltar os marginais, o comandante disse que quem solta são os magistrados da PGR e não a Polícia por não ter legitimidade para tal, “esta acusação não condiz com a verdade", disse.







