Família do jovem supostamente executado por efectivo do SIC “Adolfo Kalunga” exige exumação do corpo para um enterro condigno
Uma equipa de reportagem deste jornal deslocou-se na manhã deste domingo, 19, à casa do óbito do jovem João Matias Soares, de 45 anos de idade, levado supostamente por efectivos do SIC no dia 22 de Dezembro de 2024, e encontrado morto dias depois na Morgue Central de Luanda, amarrado e com vestígios de agressão física.
Cambundo Caholua
Transferido para o município da Camama, a nossa equipa manteve uma conversa com os familiares do malogrado. O irmão mais velho, Eugénio Paulo Soares, disse que até ao momento a família não tem nenhuma informação sobre quando vão efectuar a exumação do corpo, para que seja realizado um enterro condigno.
Reforçou que o irmão está prestes a completar um mês desde que foi levado pelos supostos efectivos do SIC, acompanhado de mais dois elementos, quando supostamente tentavam carregar mercadorias na fábrica WANG 2 afecta a empresa SUGE, com uma factura falsa.
"É triste que até ao momento não nos dizem nada, o SIC ou os serviços de justiça não nos dão a data da exumação, e estamos com dificuldade de realizar o óbito", sustentou.
Agastado com a situação, denunciou que os principais autores estão todos livres.
Por exemplo, revelou que Emanuel, tido como o arquitecto da fraude, por trabalhar na fábrica WANG 2, na área de facturação, continua a trabalhar normalmente na fábrica.
"Este Emanuel é irmão do Reis, foi o Reis quem convidou o meu irmão”, denunciou.
Segundo a família, no dia em que o jovem foi levado, o Reis se encontrava fora da empresa com a sua viatura pessoal, enquanto o malogrado seguia com o camião e o motorista e mais um ajudante.
Contam que há outros integrantes do grupo, entre os quais um jovem identificado como Toy que, segundo a família da vítima, ostenta uma viatura potente “V8” e demais elementos que este jornal promete trazer os seus nomes em próximas edições.
A família da vítima exige que se anexa no processo o telefone do Reis, que se encontra apreendido na Direcção do SIC-Viana, sob custódia do agente conhecido por Da Silva, pelo facto de existir conversas por mensagens trocadas entre o Reis e o falecido no dia do desaparecimento.
"O Reis fugiu do bairro faz tempo, o Emanuel, do que sabemos, continua a trabalhar na WANG. Por que não é detido para ser investigado, não sabemos”, atiraram.
"O Reis que está por aí, às vezes liga para nós, pedimos ao SIC para anexar no processo o telefone dele, lá tem muitas provas, até sobre um grupo do WhatsApp com nome de 'business do bairro", frisaram.
A família lamenta e apela ao SIC-Geral e a outros órgãos, no sentido de enveredar esforço para que se conclua este processo.
Recorde-se que o corpo de João Matias Soares foi encontrado e removido na vala do Kikuxi, com sinal de espancamento, posteriormente levado a Morgue Central de Luanda e enterrado no cemitério da Camama, sem que a família tivesse conhecimento.
Quanto aos dois elementos, o motorista do camião e o seu ajudante, que se encontravam com o falecido, segundo a família, não foram responsabilizados, por alegarem que estavam a prestar serviço de aluguer.
O Na Mira do Crime ouviu o Porta-voz do SIC-Geral, Superintendente-chefe, Manuel Halaiwa, que confirmou estar já detido um efectivo daquele órgão, identificado por Adolfo Kalunga, envolvido supostamente no desaparecimento da vítima.
Halaiwa assegurou que diligências estão a ser feitas para se localizar outros envolvidos, bem como responsabilizar a empresa.







