Cólera no Paraíso e Belo Monte: Hospitais instalados para atender pacientes estão sem técnicos de saúde
Os habitantes dos bairros Paraíso e Belo Monte, manifestam preocupação com a propagação da cólera que continua a ceifar vidas humanas naqueles territórios de Luanda.
Por: Kihunga Bessa
Durante dois dias, sábado e domingo, uma equipa do jornal Na Mira do Crime fez uma ronda nos referidos bairros para saber mais sobre os casos da cólera, e tomamos conhecimento que, depois da montagem das tendas para o internamento dos casos, ficaram quase duas semanas sem funcionar por falta de técnicos de saúde, daí que os casos aumentam a cada dia.
Jacinto António Kibeni, vice-presidente do conselho de moradores do bairro Paraíso, fez saber que durante às últimas 24 horas de sábado para domingo, 26, foram registados cinco novos casos e um óbito extra-hospitalar, de uma bebé de 2 anos de idade.
Informou que desde o momento em que foram identificados os primeiros casos, isto no dia 5 do mês em curso até a data presente, o bairro regista mais de 100 casos e um total de 16 óbitos.
Salientou ainda que, desde que foi montado o centro de internamento da cólera, há duas semanas, apenas sábado, 25, foram apresentados 20 profissionais da saúde, provenientes de diferentes unidades hospitalares, que estão a trabalhar em sistema de turno.
"Estava mal, os casos eram transferidos para o hospital municipal de Cacuaco, felizmente os técnicos chegaram", disse.
No bairro Belo Monte, a realidade é totalmente diferente, até ao momento o centro de internamento continua sem funcionar, mesmo apetrechado, por alegadamente faltar profissionais de saúde que se encontram em formação.
“Os casos crescem cada dia que passa”, alertou Ângelo João, presidente do conselho de moradores daquele bairro.
Informou que na sexta-feira, 24, aquela circunscrição registou cerca de 6 casos e um óbito de um jovem de 16 anos de idade, “e o Belo Monte regista mais de 50 casos e 6 óbitos, isso preocupa, porque não sabemos para que efeito foi colocado este centro, se não há técnicos para atender os pacientes", disse.
Segundo a população, outro problema que afecta o bairro Paraíso, é a falta da água, porque a água distribuída pela EPAL está a ser desviada pelos coordenadores dos quarteirões.
"Sabemos que cada dia o bairro Paraíso recebe cerca de 10 cisternas de água, mas é para os coordenadores que oferecem apenas duas banheiras e o resto fica para eles", informou Alice, uma das moradoras.
No Belo Monte, por exemplo, a falta de água é um facto. Os habitantes são obrigados a percorrer longas distâncias a procura do líquido precioso, tudo porque, segundo os coordenadores, recebem apenas uma cisterna por dia.
Quanto ao saneamento básico, continua a nota-se focos de lixo em diversos pontos dos bairros.







