Por falta de conservação: Cadáveres estão a apodrecer na Morgue Central de Luanda
Os utentes que ocorreram à Morgue Central de Luanda para a conservação de corpos dos seus ente queridos, mostram-se indignados pelo facto das câmaras daquela instituição não estarem a conservar devidamente os cadáveres, mesmo pagando emolumentos diário no valor de 2500 kwanzas (exigido pelo Estado), chegando até 10 mil em negociatas dos funcionários, que brincam com o sentimento das pessoas, e cobram esta cifra com a promessa de colocarem os corpos onde conserva melhor.
Por: Kihunga Bessa
Depois de várias denúncias, uma equipa de reportagem do jornal Na Mira do Crime deslocou-se até a morgue em referência, onde permaneceu durante algumas horas, e foi possível constatar in loco a péssima condição de conservação de cadáveres.
Ouvimos várias reclamações de pessoas que encontravam os corpos dos seus familiares no estado de putrefacção.
Domingas de Sousa, explicou que a sua irmã era moradora na zona da Samba, perdeu a vida na quinta-feira, 30, vítima de doença e, por volta das 17 horas foi deixada naquela morgue com o prazo de 3 dias.
"Lhe deixamos ontem e hoje viemos observar como está a sua conservação, infelizmente teremos que transladar o corpo para a morgue de Cacuaco, embora seja distante, porque aqui não está a conservar nada", informou.
Quem também mostrou o seu descontentamento é Joel Matumona, morador do Cazenga, que foi em busca do corpo do seu familiar, após três dias de deposito, no dia da realização do funeral, infelizmente depararam-se com aquele cenário triste e que os deixou irritadíssimos.
"Pagamos um total de 7500 kzs para a conservação do nosso tio, para vir encontrar assim, quase que não conseguimos lavar o corpo, se for assim não cobrem dinheiro e avisem antes para que as pessoas levem noutras morgues", desabafou.
Outro sim, é que mesmo as câmaras a não funcionarem devidamente, nota-se o amontoado de cadáveres, uns por cima dos outros, desde mulheres e homens, crianças e idosos, quem morreu por queimadura, quem morreu a tiro, quem era marginal e quem era simples trabalhador, uma autêntica confusão.
Após viver aquele cenário, a equipa de reportagem deste jornal dirigiu-se até ao Governo Provincial de Luanda, no intuito de poder perceber o que se passa de concreto com aquela instituição.
Fomos orientados a contactar a Direcção Provincial da Saúde de Luanda, mas, postos lá, infelizmente, os responsáveis encontravam-se ausentes.
Importa referir que no local, também são visíveis equipas técnicas do Governo Provincial de Luanda a exercer obras de reabilitação e requalificação do espaço







