Silêncio total em casa da Vitória: Pais da menina atingida mortalmente por uma bala (ainda) não acreditam no desaparecimento físico da pequena
Uma equipa de reportagem do Na Mira do Crime deslocou-se na tarde deste domingo (9), a zona do São Paulo, em Luanda, onde está localizado a residência do óbito da menina Vitória Wamy Kwando da Rocha, de 08 anos de idade, que foi atingida por bala perdida, na manhã de sexta-feira, 07, no interior de uma sala de aula, no colégio Elizângela Filomena, na rua da Liberdade, município do Rangel, bairro Vila Alice.
Por: Cambundo Caholua
O ambiente fúnebre mostra o quanto o desaparecimento da ‘pequena estrela’ da família Rocha vai mudar por longos ó ambiente daquela família. A mãe não sai do quarto, o pai não fala enquanto os irmãos da malograda, de 17 e 11 anos permaneciam tímidos, recebendo abraços de familiares.
Ninguém grita, apenas deitam lágrimas e tentam no silêncio relembrar cada momento vivenciado com Vitória.
Os pais, tios e irmãos da pequena ainda não acreditam que a menor nunca mais voltará para casa. Saiu de casa para ir aprender como tornar Angola um lugar bonito para se viver, e acabou atingida por uma bala, numa sala de aula, cuja a origem as autoridades ‘insistem’ em não identificar.
A mãe da menor permaneceu recolhida no seu quarto durante as horas que o Na Mira esteve na casa do óbito, o pai, tenta ‘fingir’ a dor, circula algumas vezes pela casa, mas nota-se que está totalmente abalado. Não tem ‘força’ para detalhar como era a sua filha e o que lhe vai alma neste momento, daí ter indicado um outro membro da família para falar para este jornal.
Guilherme Kwando, de 42 anos de idade, é o responsável pela comunicação da família, explicou ao Na Mira que neste momento, a maior insatisfação da família, prende-se com o silêncio da Polícia Nacional e do Serviço Investigação Criminal, que não explicam de onde partiu o disparo que atingiu a criança, estando agora todos envolvidos em várias especulações.
“Até ao momento não obtivemos qualquer informação da polícia, estamos a aguardar as investigações para se apurar a verdade”, disse.
"Como família, não temos meios para investigar a causa, porque a princípio não estivemos lá, e a informação que está a ser veiculada e que se tornou pública é que foi uma bala perdida. Fala-se que havia um assalto lá nas imediações do colégio e alguém não sei se é civil ou fardado tentou evitar tendo efectuado disparos”, deduziu.
Quanto as especulações, explicou que, no mesmo dia da tragédia, no final do dia, é quando surgiram rumores que não se tratava de uma bala perdida, mas que alguém lá dentro do colégio é que fez o disparo.
Diante desta situação, independentemente se o tiro era de um aluno ou então de alguém que fez o disparo ser de fora, a família exige que se apure a verdade e que se identifiquem os reais causadores “deste mal para se poder tomar as medidas necessárias”.
"Nós, a família, estamos a espera da polícia e do SIC, no sentido de poderem investigar, também, sabemos que não é do nada que vão citar a pessoa que está a ser falada que fez o disparo, provavelmente haja indício", cogitou.
Por outra, apelou que a professora do colégio seja ouvida para explicar o que aconteceu naquele dia, pediu que a polícia apertasse e apurasse se na verdade foi mesmo uma bala perdida.
Segundo o tio, uma vez que no colégio e no perímetro há várias câmaras de vigilância e está segura, sugere que se verificasse em todos os ângulos para se ter certeza se foi ou não uma bala perdida vinda de fora da instituição.
"O mal já está feito, agora pedimos a quem de direito que faça o seu trabalho, um trabalho sem mácula, no sentido de investigar qual é a verdade”, pediu.
Questionado se a polícia ou os órgãos de investigação Criminal têm feito presença na residência onde está a decorrer o óbito, desde o dia que ocorreu o incidente, explicou que até ontem, domingo (09), não tiveram a visita de nenhuma delegação da polícia, bem como do SIC.
“A visita que recebemos foi do governador provincial de Luanda e da administração local", revelou.
Quanto a direcção da escola, Guilherme disse que também não tem nenhuma informação se a polícia teve uma conversa com a mesma, bem como a professora da menina.
"Não temos informação sobre esses aspectos, quais são os meandros da investigação, se já conversaram com a direcção da escola ou não", assinalou.
Refira-se que a menina Rocha era a terceira filha dos pais, estava a frequentar a 3ª Classe, no colégio já referenciado, ao passo que os outros dois irmãos estudam também no colégio Elizângela, mas o que está situado no 1º de Maio.
"Estamos tristes, nós os familiares, amigos, colegas da menina, a sociedade e o país no geral", disse, tendo agradecido a forma como a sociedade está comovida e tem apoiado, sobretudo nas redes sociais.
O Na Mira soube através da família que a pequena Vitória era muito inteligente, lia muito bem, gostava de estudar e praticar desporto, era atenciosa com todos.
O funeral vai decorrer no cemitério da Sant Ana, às 10 horas desta terça-feira, 11, e o Na Mira do Crime estará presente para reportar o facto.







