"Darling -VIDA CABELOS" - Fábrica de postiço acusada de despedir anarquicamente funcionários angolanos
Antigos funcionários da empresa "Darling VIDA CABELOS", que se dedica à produção de cabelos sintéticos, vulgo postiço, situada no bairro Capalanga, município dos Munlevos, acusam a direcção da empresa de ter, supostamente, efectuado despedimentos em massa de mais de 20 trabalhadores, sem serem indemnizados.
Por: Solange Figueira
De acordo com os denunciantes, os despedimentos foram feitos sem um aviso prévio. Eles apontam directamente os directores expatriados de estarem por detrás destas "injustiças".
Revelaram a este Jornal que os despedimentos só se efectuaram devido às reivindicações que, na altura, os antigos funcionários haviam feito, em relação às férias em atraso, os subsídios que não recebiam bem como o excesso de carga horária a que eram submetidos.
"Já há dois anos que não tínhamos direito a férias, não nos davam subsídios, trabalhávamos como escravos, com carga horária de segunda-feira a sexta-feira, das 7 horas às 16 horas e 48 minutos, sem alimentação", começaram por denunciar.
João Manuel, de 30 anos de idade, uma das vítimas, contou ao Na Mira do Crime que os despedimentos ocorreram em Dezembro de 2024.
Nessa altura, acrescentou, os trabalhadores já se encontravam há mais de dois anos sem gozo de férias.
"Reclamamos aos directores, e eles prometeram-nos que repuseriam as nossas férias em 2025, o que não veio a acontecer. Dada a demora, decidimos fazer greve, depois disso, os directores inventaram que o nosso contrato já tinha terminado, até eu que era efectivo fui despedido sem indemnização", descreveu.
"O director Ibraim ainda teve a coragem de nos dizer na cara que podemos ir nos queixar onde quisermos; ele tem poder financeiro para abafar o nosso caso", confirmou.
Já Luís Manuel, de 40 anos de idade, revelou que trabalhou na empresa DARLING, durante 15 anos, e contou que os primeiros trabalhadores foram despedidos no dia 2 de Dezembro, ao passo que os outros foram para o desemprego no dia 24 do mesmo mês.
Explicaram que foram, por duas vezes, ao Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), onde foram se queixar para ver se o processo pudesse ser resolvido, mas os mesmos alegaram que aquela instituição fez "vista grossa" e nada fez.
"Trabalhávamos 09 horas por dia, em condições precárias, desumanas, sem subsídios de alimentação e transporte", disse Joaquim de Almeida, de 28 anos de idade, que trabalhou na empresa durante 3 anos, admitindo que por não conhecerem os seus direitos não reivindicaram em tempo oportuno.
Alberto José, de 35 anos de idade trabalhou na empresa, durante 4 anos, agastado com a falta de sensibilidade da entidade patronal, apelou apenas que seja reposta a legalidade e indemnizem, por ser de direito do trabalhador auferir o que trabalhou.
Os mesmos revelaram que não têm dinheiro para constituir um advogado, por isso vêem a situação mais difícil.
Este jornal contactou, por via telefónica, a direcção da empresa "Darling-VIDA CABELOS", com a finalidade da mesma esclarecer as acusações que pesam sobre a instituição.
Primeiro, um dos responsáveis da empresa, chamado Ibraim mostrou-se indisponível em dar qualquer esclarecimento em relação ao assunto, mas depois, desligou o telemóvel e quanto o repórter falava e não mais atendeu.
Passados 30 minutos, entrou em contacto com a repórter, também por via telefónica, o chefe dos Recursos Humanos, João Manuel, em tom ameaçador, apenas proferiu as seguintes palavras: "Nós, a empresa Darling-VIDA CABELOS, não devemos nada ao Jornal, e nem o jornal deve algo a nós, a matéria é mesmo vossa, se vocês a publicarem terão que arcar com as consequências", concluiu com as ameaças.
Na manhã de terça-feira, 18, um outro repórter deste jornal, ainda entrou outra vez em contacto com a direcção da mesma empresa, na pessoa do senhor Ibraim, que pediu que este jornal envie um email para através dele, enviar o direito de resposta, porém, passadas mais de 48 horas, não nos foi enviado nenhum endereço de e-mail.







