Chefe dos serviços de informação da PM do Estado de São Paulo afasta envolvimento de angolanos no grupo PCC em Portugal
A Polícia Judiciária (PJ) de Portugal está a levar a cabo, desde a manhã desta terça-feira, 25, uma vasta operação de buscas no âmbito de uma investigação sobre alegadas práticas de corrupção na Autoridade Tributária.
Por: Ngunza Chipenda
As suspeitas recaem sobre funcionários das Alfândegas que, a troco de subornos de grupos de organizações criminosas internacionais, como é o caso do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Comando Vermelho (CV) do Brasil, e cartéis colombianos, estejam a utilizar os portos portugueses como porta de entrada para a distribuição de grandes quantidades de cocaína no continente europeu.
Falando esta terça-feira à CNN Portugal, o Coronel Pedro Luís Lopes, responsável pelos serviços de informação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, explicou que o maior número de criminosos associados ao Primeiro Comando da Capital, que actuam na Europa, se encontra hoje em Portugal.
"Não é certo dizer que isso está relacionado com a migração, porque dos elementos do PCC identificados em Portugal, quase 90 por cento são nacionais, tem pouquíssimos brasileiros e menos ainda angolanos", detalhou.
De acordo com informações apuradas pela CNN Portugal, a investigação da PJ foca-se principalmente nos portos de Lisboa, Setúbal e Sines, considerados pontos estratégicos para o tráfico internacional de droga.
A operação que começou nesta terça-feira envolve mais de uma dezena de funcionários das alfândegas, que são suspeitos de actuar em coordenação directa com estas organizações criminosas, recebendo pagamentos avultados para permitir a passagem de droga. Estes rendimentos ilícitos terão resultado em elevados sinais exteriores de riqueza, agora sob escrutínio das autoridades.
Vale sublinhar que Angola continua a ser um dos países de passagem de droga do tipo cocaína saídos do Brasil, que é distribuída um pouco pela região austral.
Nos últimos meses, houve a detenção de cidadãos brasileiros (traficantes) em Angola e apreensão de quantidades consideráveis de droga, do tipo cocaína.
O Primeiro Comando da Capital (PCC), também referido como 15.3.3, é a maior organização criminosa do Brasil, com actuação principalmente no estado de São Paulo, no Brasil, mas também em todo o território brasileiro, além de países fronteiriços,comoParaguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela.
Tem cerca de 30 mil membros, sendo 8 mil apenas em São Paulo.
A organização surgiu a 31 de Agosto de 1993 no Centro de Reabilitação Penitenciária da Casa de Custódia de Taubaté, no Vale do Paraíba, a 130 km da capital paulista, local que acolhia prisioneiros transferidos por serem considerados de altamente perigosos pelas autoridades, e calcula-se que hoje tenha cerca de seis mil integrantes dentro do sistema penitenciário e outros 2,6 mil em liberdade, apenas no estado de São Paulo.
É financiado principalmente pelo tráfico de drogas, mas também através de roubos de cargas, assaltos a bancos e sequestros.







