Talatona e Mulenvos: Moradores preocupados com ravinas que estão a 'engolir' residências
Os moradores de Talatona denunciaram que a Sapú 2, é um dos bairros afectados com as ravinas, situação que levou os munícipes a reclamarem da existência de novas ravinas que começaram a 'engolir' as casas. Já no município dos Mulenvos, essa situação ocorre na rua por detrás de uma fábrica de alumínio que está no bairro Kapalanga.
Por: Solange Figueira
Nestes bairros, segundo os nossos interlocutores, as ravinas estão a se alastrar rapidamente que até já se tornarem em valas de lixo arrastadas pelas chuvas que assolam a província de Luanda.
"Tememos pelas nossas vidas e pedimos que se resolva este problema os mais brevemente possível", pediram.
Eduardo Lino, de 45 anos, morador do bairro Sapú 2, Casas Verdes, desde 2009, vindo da Cidade alta, onde vivia com a família disse que esse fenómeno já se arrasta há dois anos por causa das chuvas intensas.
"Estas ravinas chegam a medir até dois metros de profundidade. Além das ravinas, temos também problemas da falta de água potável, causada pelo corte dos tubos todos em consequência das ravinas", explicou.
Segundo fez saber, os moradores se debatem também com a inacessibilidade do bairro.
Os carros já não passam neste bairro, porque as estradas desabaram.
Administração sem capacidade para travar progressão das ravinas
Consciente das dificuldades que os cidadãos passam, a administração municipal de Talatona, há três meses mandou uma equipa para fazer uma prospecção e avaliar o grau de perigosidade das ravinas.
Como medida, segundo os munícipes, a solução encontrada pelos 'especialistas' foi vedar as ravinas com chapas, o que não resultou em nada, a não ser só mais desperdício de dinheiro para a compra de ferros e as chapas.
"As coisas só pioram mais, porque com as chuvas estamos a sofrer todos os dias, com mosquitos, moscas e larvas. Não sabemos o que fazer, principalmente nessa altura que nos debatemos com a pandemia da cólera. Infelizmente, esses homens da Administração só falam e não fazem nada. Só para se ter uma ideia, cada dia que passa e com essas chuvas, a situação aqui esta cada vez pior", clamou.
Ravinas já fizeram mortes nos Mulenvos
Carlos Miguel, residente do município dos Mulenvos, bairro Kapalanga, por detrás da fábrica de alumínio, conta que no princípio deste ano, uma residência desabou por causa das ravinas e teve, inclusive, vítimas mortais. "Estamos a implorar, por socorro, porque é demais. Já não aguentamos mais viver assim porque as ravinas tornaram-se em valas de lixo. Essa situação já vem desde o tempo que este bairro pertencia ao município de Viana", denunciou o morador reconhecendo que mesmo sendo do seu conhecimento, o administrador de Viana, nunca se deu ao trabalho de ir ver como é que vivem os cidadãos que estavam sob o seu cuidado.
"A nova administração, agora no âmbito da divisão política e administrativa, também tem conhecimento, mas infelizmente, para o desagrado de todos nós, ainda não apresentou nenhum projecto ou plano para acabar com as ravinas", contaram, garantindo que a situação pode piorar ainda mais, com a existência de outras mortes devido a intensidade de chuvas que se abatem na zona.
Populares devem aguardar nomeação de Administrador para aréa Técnica
Ao NA MIRA DO CRIME, o Director de Comunicação, da Administração dos Mulenvos, Tiago Kapindissa, disse que, por ser nova, a Administração municipal dos Mulenvos ainda não tem um administrador para área Técnica, situação que coloca em perigo a vida de centena de famílias.
"Conhecemos todas as ravinas, já trabalhamos com o governo da Província de Luanda e, inclusive, já radiografamos todas as ravinas", disse, apelando alguma calma aos moradores e fé em dias melhores.







